Arrecadação tem o pior abril dos últimos 5 anos.

Receita Federal arrecadou R$ 109 bilhões, montante 4,62% menor, em termos reais, que o de igual mês do ano passado. Resultado indica a possibilidade de aumento de impostos.

Na véspera da divulgação do contingenciamento do Orçamento da União e antes mesmo do fim da tramitação no Congresso do pacote de ajuste fiscal anunciado no final do ano passado, o governo Dilma Rousseff já indica que irá tomar novas medidas tributárias, inclusive com a possibilidade de aumento de impostos. A sinalização, feita nesta quinta-feira, pela Receita Federal, vem em meio a um cenário ruim de arrecadação de tributos, que teve em abril o pior resultado para o mês dos últimos cinco anos, com um total de R$ 109,241 bilhões. Nos primeiros quatro meses do ano, a arrecadação de tributos e contribuições federais somou R$ 418,617 bilhões, uma redução real de 2,71%, na comparação com o igual período de 2014. De acordo com o Chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, as medidas de ajuste encaminhadas pelo Executivo ao Congresso acompanhavam uma estimativa de efeitos que seriam verificados ainda em 2015. “Evidentemente, se esses efeitos não forem produzidos neste ano, haverá, sim, a necessidade de novas medidas”, afirmou. A arrecadação de abril, divulgada nesta quinta-feira pela Receita, foi 4,62% menor que a de igual mês do ano passado, em termos reais. Um dos motivos que levaram a essa redução foram as desonerações concedidas pelo governo, que totalizaram R$ 9,1 bilhões em abril, uma renúncia fiscal maior que em abril de 2014 (R$ 7,9 bilhões). Malaquias salientou que em abril os indicadores macroeconômicos continuaram em trajetória negativa. “Isso tem forte conexão com o resultado da arrecadação”, afirmou. No mês passado, ante abril de 2014, houve queda de 3,5% da produção industrial e baixa de 0,67% de comércio e serviços. O técnico enfatizou também que tanto o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) quanto a Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL) tiveram queda real de 18% de abril de 2014 para o mês passado. “Isso significa que o lucro das empresas se reduziu em abril em relação a abril de 2014”, comentou. Com a intenção de despistar as possibilidades que estão sendo avaliadas pelo Ministério da Fazenda para repor perdas, o técnico da Receita citou apenas que podem ser tomadas medidas tributárias, como redução da desoneração e elevação de tributos. “Não é possível, neste momento, especificar quais medidas serão essas, quais tributos”. O técnico colocou na conta dos parlamentares a chance de que novos anúncios desse tipo possam ser feitos. “À medida que esses efeitos vão sendo reduzidos, revertidos parcialmente dentro do processo legislativo, evidentemente que novas medidas terão de ser adotadas”. As medidas provisórias que reduzem benefícios trabalhistas e previdenciários, que tramitam no Congresso, foram flexibilizadas e vão reduzir a economia esperada pelo governo. O projeto de lei que reduz a desoneração sobre a folha de pagamentos enfrenta dificuldades e deve ser votado apenas em junho. Além dos projetos de ajuste analisados pelos parlamentares, o governo vem anunciando desde o início do ano outras medidas para reforçar o caixa. Entre elas estão a recomposição da Cide sobre combustíveis, a elevação do IOF em operações de crédito para pessoas físicas e a incidência de IPI para atacadistas e cosméticos.




Fonte: JC

Petrobras pode ser obrigada a republicar balanço do 1º trimestre.

Estatal antecipou R$ 1,3 bilhões referentes a acordo com Eletrobras fechado em maio.

A Petrobras pode ser forçada a republicar o balanço do primeiro trimestre se for comprovado que ela recorreu a mecanismo contábil para elevar o resultado divulgado na semana passada, indicou ontem o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira. A estatal contabilizou ganho de R$ 1,3 bilhão fruto de um contrato assinado apenas no dia 7 de maio — 37 dias após o fim do primeiro trimestre — e ajudou a empresa a registrar lucro de R$ 5,3 bilhões de janeiro a março. A informação sobre o artifício foi publicada ontem pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Sem comentar o caso específico da Petrobras, o presidente do órgão regulador do mercado de capitais afirmou que a republicação do balanço é a medida exigida pela CVM quando empresas abertas desrespeitam as orientações do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que elabora pareceres sobre contabilidade empresarial. — Se ficar comprovado que uma empresa desrespeitou a norma do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) sobre esse assunto, pode ter que republicar (o balanço) — disse Pereira em evento, em São Paulo, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), de acordo com a agência Reuters. A manobra contábil se refere às provisões feitas pela Petrobras para um possível calote da Eletrobras, que recebia combustível da petrolífera em usinas termoelétricas na Região Norte. Essa reserva, que totalizava R$ 4,5 bilhões, pesou negativamente no balanço referente a 2014. Nas demonstrações financeiras do primeiro trimestre de 2015, porém, a Petrobras informou que “em 31 de março de 2015, a companhia reverteu R$ 1.295 (em milhões de reais) de perdas em créditos de liquidação duvidosa”. Mas ela admite que isso ocorreu “em função da assinatura, em 7 de maio de 2015, de novo contrato” com a Eletrobras, garantindo a dívida. Segundo a Petrobras informou em nota, embora formalizado em maio, o contrato começou a ser negociado em março de 2015 — logo, ainda no período coberto pelo balanço. A companhia alegou que a inclusão do evento no documento está de acordo com o Pronunciamento Técnico 24, do CPC. Justificando sua inclusão no balanço, a empresa classificou o contrato com a Petrobras de “evento subsequente de caráter modificativo e ocorrido antes da emissão das informações trimestrais, com complemento efetivo de garantias e consequente melhoria do crédito”. O GLOBO não conseguiu contatar, por telefone, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Em nota, a CVM disse que acompanha as movimentações de companhias abertas, “tomando as medidas cabíveis, quando necessário”. A autarquia citou como referência para o caso justamente o Pronunciamento Técnico 24 do CPC, mas não informou se a conduta da Petrobras está de acordo com ele. — Existe, sim, a possibilidade de um evento posterior ao período do balanço ser lançado. Isso já aconteceu várias vezes. Não sei se, no caso da Petrobras, ela o fez da maneira correta, mas isso acontece com diversas empresas. E, para dar seu aval, a auditoria que assinou o balanço certamente considerou a conduta correta — afirmou Rafael Paschoarelli Veiga, da FEA/USP.
 ESPECIALISTA VÊ PEDALADA
 Mas o artifício é considerado questionável por outros especialistas em contabilidade. — Eu desaconselharia essa prática, pois fere um princípio contábil. O resultado precisa estar dentro do trimestre, pois o fato gerador aconteceu depois do fechamento. O ideal seria que o fato estivesse nas notas explicativas, mas que só fosse contabilizado no próximo trimestre — avaliou Alexandre Espírito Santo, economista da Simplific Pavarini e professor do Ibmec-Rio. O professor de Finanças Públicas da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EASP) Fernando Zilveti também recomendou que o contrato com a Eletrobras se restringisse às notas explicativas. Segundo ele, a manobra tinha como objetivo mostrar para o mercado que a empresa está em uma posição melhor: — Foi nitidamente uma pedalada para embelezar o balanço. Se ela queria antecipar um fato contábil, deveria ter colocado nas notas explicativas.








Fonte: O Globo


Inflação avança para 8,31% neste ano em pesquisa do BC.

As nuvens ainda mais carregadas para a inflação deste ano começam a se dissipar a partir de 2016. A perspectiva de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será maior do que o previsto apenas uma semana atrás foi divulgada ontem no Relatório de Mercado Focus, pelo Banco Central. O índice deve chegar a 8,31% no acumulado deste ano, mas no grupo dos profissionais que mais acertam as projeções, o chamado Top 5, foi mantida a estimativa de 9,02% para o período. Por trás da previsão mais alta – a da semana anterior estava em 8,29% – está o incremento visto para os preços administrados, como conta de luz e gasolina. O ponto central da pesquisa revelou que a taxa de 13,2% para esse conjunto de preços em 2015 foi substituída pela de 13,5%. Já para o câmbio, que também vinha sendo fonte de pressão, não houve alteração no boletim Focus. O dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 2,20, e 2016, em R$ 2,30. Conforme o tempo vai passando, os economistas começam a enxergar uma melhora no empenho do BC para segurar a alta dos preços. Para 2016, espera-se que a inflação encerre em 5,51% e, no ano seguinte, em 5%. Para 2018, a projeção caiu de 5% para 4,9% e, para 2019, de 4,7% para 4,59%. Com chance mínima (de apenas 10%, segundo o próprio BC) de cumprir a meta de 4,5% este ano, essa diminuição pode ser lida como o início de uma vitória para a autoridade monetária. O conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Luiz Alberto Machado, ressaltou que a piora das previsões para a inflação deste ano tem sido uma constante – foi a quinta consecutiva – e que o cenário segue negativo. “O governo já jogou a toalha para 2015 e não tem muito o que fazer, mesmo com a previsão de desaceleração da atividade no segundo semestre”, ressaltou. “Não é o ideal, mas é o preço pago pelo que se deixou de fazer nos últimos anos”, continuou. Sobre a melhora das estimativas para os próximos anos, Machado comentou que ela se dá em função da perspectiva positiva que o mercado financeiro depositou no governo em relação ao ajuste fiscal. “Mas caso isso não funcione ou haja um afrouxamento daqui a três anos por questões eleitorais, essas previsões voltam a subir”, alertou.
Juros
Ainda não houve mudança de percepção em relação ao rumo da taxa básica de juros este ano, que deve encerrar em 13,5% ao ano, também de acordo com o boletim. Para 2016, no entanto, os analistas atualizaram suas planilhas e contam agora com uma desaceleração menor da Selic, que deve fechar em 11,75% ao ano. Do lado externo, a boa notícia é que se aguarda um volume maior para o Investimento Direto no País (IDP), fonte de recursos voltados para a produção. Estão previstos US$ 61 bilhões para este ano e US$ 64 bilhões para o próximo – maiores do que as cifras anteriores de US$ 59 bilhões e US$ 60 bilhões, respectivamente. Mesmo assim, as quantias serão insuficientes para cobrirem o rombo projetado, que também aumentou de US$ 80 bilhões para US$ 82,40 bilhões para 2015 e se manteve em US$ 75 bilhões no ano que vem. A despeito de mais uma rodada de deterioração das expectativas para o setor manufatureiro, que deve apresentar recuo de 2,80% em 2015 sobre o ano passado, o relatório revelou uma estabilidade das previsões para o Produto Interno Bruto (PIB). A atividade, conforme o documento, deve ter retração de 1,2%. Para 2016, ficaram congeladas tanto as estimativas para a retomada da produção industrial (1,5%) quanto para a do crescimento (1%).








Fonte: JC

Pela 5ª semana seguida, mercado eleva estimativa de inflação de 2015.

Entretanto, pela 2ª semana seguida, previsão para IPCA de 2016 recuou. Expectativa dos analistas de retração do PIB deste ano seguiu em 1,2%.

Os economistas do mercado financeiro subiram, pela quinta semana consecutiva, sua estimativa de inflação para este ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – que passou de 8,29% para 8,31%. O levantamento foi feito pelo Banco Central na semana passada com mais de 100 instituições financeiras, e divulgado nesta segunda-feira (18) por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus.

PREVISÕES PARA O IPCA 2015


Para 2016, porém, a previsão dos economistas para o IPCA recuou de 5,51% para 5,50% na última semana. Foi a segunda queda seguida deste indicador. Se confirmada, a previsão do mercado para a inflação de 2015 (de 8,31%) atingirá o maior patamar desde 2003, quando ficou em 9,3%. A expectativa oficial do governo para a inflação deste ano, divulgada recentemente por meio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, está em 8,2%. A equipe econômica informou, na ocasião, que está utilizando as previsões do mercado financeiro em seus documentos. Segundo economistas, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.
Produto Interno Bruto
Para o comportamento do PIB neste ano, os economistas do mercado financeiro mantiveram sua previsão, na semana passada, para uma retração de 1,20%. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Para 2016, o mercado manteve sua previsão de alta do PIB em 1%. No fim de março, o IBGE informou que a economia brasileira cresceu 0,1% em 2014. Em valores correntes (em reais), a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229. Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%.

PREVISÕES PARA O PIB 2015

Taxa de juros
Após o Banco Central ter subido os juros para 13,25% ao ano no fim de abril, o maior patamar em seis anos, o mercado manteve em 13,50% sua previsão para a taxa básica da economia no fim do ano – o que pressupõe novo aumento da Selic em 2015. A aposta dos economistas é de que este aumento virá em junho, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.
Câmbio, balança e investimentos.
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 permaneceu em R$ 3,20 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 3,30 por dólar. A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 permaneceu inalterada em US$ 3 bilhões de resultado positivo. Para 2016, a previsão de superávit caiu de US$ 10 bilhões para US$ 9,45 bilhões. Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil subiu de US$ 59 bilhões para US$ 61 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte permaneceu avançou de US$ 60 bilhões para US$ 64 bilhões.







Fonte: G1

Juros atingem em abril o maior nível em 4 anos.


As taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas subiram em abril pelo sétimo mês consecutivo e renovaram os maiores patamares desde de 2011, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgada ontem. No caso das pessoas físicas, novamente houve aumento nos juros em todas as seis linhas pesquisadas (juros do comércio; cartão de crédito rotativo; cheque especial; CDC-bancos-financiamento de veículos; empréstimo pessoal-bancos; e empréstimo pessoal-financeiras). O juro médio subiu 0,06 ponto percentual em abril ante março, para 6,77% ao mês (119,48% ao ano), o maior nível desde julho de 2011. Entre as pessoas jurídicas, houve alta nas três linhas (capital de giro; desconto de duplicatas; e conta garantida). O juro médio avançou 0,08 ponto no mês passado ante o anterior, para 3,97% ao mês (59,55% ao ano), o patamar mais alto desde novembro de 2011. Segundo a Anefac, as altas podem ser atribuídas a três fatores: cenário macroeconômico que aumenta o risco de elevação da inadimplência; aumento da Selic; e expectativa de mais aperto monetário em função da inflação alta. “Tendo em vista o cenário econômico atual que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência, bem como as prováveis novas elevações da taxa básica de juros frente a uma inflação mais elevada, a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses”, diz a associação em relatório. A Anefac aponta que, considerando todas as elevações da Selic promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, houve aumento de 6 pontos percentuais (ou alta de 82,76% na taxa básica de juros), para o nível atual de 13,25%. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou elevação de 31,51 pontos (+35,82%). Já na pessoa jurídica houve alta de 15,97 pontos (+36,65%).





Fonte: JC

Com ajuste fiscal, alta nos tributos chega a R$ 47,5 bilhões.

Cálculos apontam que, se as medidas anunciadas saírem do papel, carga tributária terá aumento de 0,8 ponto porcentual este ano.

O ajuste fiscal proposto pelo governo deve elevar a carga tributária brasileira em 0,8 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Isso significa que, se tudo o que foi anunciado for colocado em prática, os brasileiros pagarão R$ 47,5 bilhões a mais em impostos e contribuições. E a projeção é que o adicional de tributos exigidos para melhorar as contas públicas, por baixo, chegue a R$ 100 bilhões a mais até o final do atual governo. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), feitos a pedido do Estado, todas as medidas anunciadas pela equipe econômica representam um adicional de R$ 39,80 bilhões à carga tributária. Outros R$ 7,7 bilhões virão de Estados e municípios, que também fizeram rodadas de aumentos nos impostos que lhes cabem, como IPTU e IPVA. Confirmada a tendência, a alta de impostos em 2015 seria o dobro da registrada em 2014 e a carga tributária fecharia o ano em 36,22%. “O governo não precisa negociar tributos e, assim, é mais fácil empurrar a conta”, diz Gilberto Luiz do Amaral, coordenador de estudos do IBPT.


Energia.
O economista Mansueto Almeida também estima uma alta de 0,8 ponto porcentual, mas incluiria na contabilidade outros R$ 7,5 bilhões, que correspondem ao fim dos subsídios ao setor elétrico. Na sua avaliação, a medida tem efeito tributário: de um lado, alivia o Tesouro Nacional e, de outro, eleva a conta de luz – e os impostos que recaem sobre ela. Por causa dos reajustes, energia se transformou neste início de ano em um dos itens que mais pesam no orçamento das famílias e na alta de custos das empresas. Dito isso, se todas as medidas anunciadas forem implementadas, o custo para a sociedade neste ano será de cerca de R$ 55 bilhões. Se todo esse dinheiro fosse usado para o superávit primário (a economia para pagamento dos juros da dívida pública), cobriria mais de 80% do total da meta que o ministro da Fazenda Joaquim Levy estabeleceu. Mansueto Almeida contemporiza que o tamanho da contribuição tributária, ao final desta ano, vai depender do fôlego da economia e da confiança dos consumidores. Com a crise, as pessoas estão apertando o cinto, comprando menos e fazendo a arrecadação cair muito abaixo do esperado. Mas ele lamenta, que ainda assim, a alta de impostos está apenas no começo. “Ao longo de todo o mandato de quatro anos, o ajuste vai exigir uns R$ 200 bilhões, e não há a menor dúvida que no mínimo metade disso, uns R$ 100 bilhões, terão de vir de aumentos de carga tributária”, diz Almeida. No fim, diz, a história apenas se repete. Série histórica elaborada pelo economista (ver quadro) mostra que, após a Constituição de 1988, nenhum governo deixou de herança um gasto público menor e que, para ajustar as contas, elevou tributos: “Quando todos os presidentes saíram do Planalto, o gasto era maior, e o ajuste foi feito com aumento de impostos”, diz Almeida. “Se por todos esses anos tem sido assim, eu me pergunto por que seria diferente agora.”





Fonte: JESP

Uma questão de escolha.


Doze anos seguidos de governo do PT, somados aos que se acumulam desde a fundação do partido em 1980, deram aos brasileiros uma ferramenta muito útil para resolver qualquer dúvida em questões de interesse público. Seu emprego não requer prática nem habilidade. Basta perguntar se o PT está a favor ou contra alguma coisa: se estiver a favor é coisa ruim, se estiver contra é coisa boa. Pode haver um ou outro caso em que não é exatamente assim — mas só, realmente, um ou outro caso. No mais, é fazer a pergunta-chave e correr para o abraço. O PT, por exemplo, é a favor da extinta CPMF, do pagamento das campanhas eleitorais com dinheiro do Tesouro Nacional, do imposto sindical, da criminalização da homofobia, da censura à imprensa por meio da criação de “controles sociais”, da invasão de propriedade privada (desde que ela não seja de nenhum membro do partido ou de algum magnata amigo), e por aí afora. Ao mesmo tempo, é contra a proteção legal aos trabalhadores terceirizados, o projeto de lei de combate ao terrorismo, a redução da maioridade penal para 16 anos, o Estatuto da Família ora em discussão na Câmara dos Deputados, o fim do voto obrigatório — e por aí afora, mais uma vez. Tudo o que está escrito no parágrafo acima é opinião — e dar opiniões, pelo menos até o fechamento da presente edição desta revista, é atividade plenamente permitida pela legislação em vigor na República Federativa do Brasil. Opiniões, ao mesmo tempo, comportam necessariamente a existência de pontos de vista contrários; não deveria haver nenhum problema, portanto, em deixar que umas e outros flutuem livremente perante o público. Mas existe, sim, um problema, que parece cada vez mais presente no debate nacional de hoje — a tendência automática de atirar primeiro na opinião diferente e só depois perguntar se ela tem algum mérito. É isso que está acontecendo no momento com a indicação, após oito meses de espera, do magistrado que deve completar o quadro de 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. O nome apresentado pela presidente Dilma Rousseff para aprovação do Senado, o advogado Luiz Fachin, é uma obra-prima na arte de impedir consensos — na verdade, tem tudo o que é necessário para promover a discórdia. Deu nisso aí, é claro: uma vigorosa resistência ao nome proposto, e mais uma ofensiva do mundo oficial para carimbar como inimigos da pátria, do povo e do bem todos os que discordam da indicação. O doutor Luiz Fachin é um exemplo praticamente perfeito da capacidade do governo e do PT de tomar, diante dos diversos caminhos possíveis, sempre o pior de todos. O Brasil, pelos registros da OAB, o conselho federal da profissão, tem quase 870 000 advogados; não deveria haver maiores dificuldades, assim, em localizar nesse mundo de gente alguém capaz de representar os valores básicos que hoje são compartilhados pela maior parte da sociedade brasileira. Estamos falando do STF, a instância mais alta do Poder Judiciário — é absolutamente essencial, pelo menos, que seus ministros sejam isentos de compromissos políticos, partidários e ideológicos. O nome escolhido pela presidente da República é justamente o oposto disso. Nas eleições presidenciais de 2014, tomou partido, em público, pela candidatura de Dilma. É um advogado militante do MST, movimento que prega e pratica, abertamente, o desrespeito às leis. No campo dos costumes, diz que o direito de família, tal como é praticado hoje no Brasil, é vítima de “manualística rasteira”, baseia-se em preconceitos idiotas e tornou-se obsoleto; seus defensores formam uma “gosma”, incapaz de compreender, por exemplo, que a amante deve ter direitos de herança iguais aos da esposa legítima. Escreve expressões como "quantum satis", achando que o uso do latim é capaz de melhorar alguma ideia. Fala em “principiologia axiomática” e outras aberrações de linguagem que pretendem transmitir seriedade, mas acabam sendo apenas cômicas. Esse é o modelo de magistrado que o PT quer para o Brasil. Fica impossível acertar agindo assim.





Fonte: J.R.Guzzo

POUPANÇA - Saques superam depósitos em R$ 29 bi no quadrimestre.

Somente em abril, as aplicações somaram R$ 150,510 bilhões e as retiradas, R$ 156,361 bilhões, o que gerou saldo negativo de R$ 5,851 bilhões, maior valor para o mês em 20 anos.

Os saques da poupança em abril superaram os depósitos em R$ 5,851 bilhões, o maior valor para o mês em 20 anos, segundo os dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. No acumulado do primeiro quadrimestre, o resultado está negativo em R$ 29,082 bilhões. A situação de abril só não foi pior porque, no último dia do mês, o montante aplicado foi R$ 3,529 bilhões maior do que as retiradas. Até o dia 29, o saldo da caderneta estava no vermelho em R$ 9,379 bilhões. É comum ocorrer aumento dos depósitos no último dia de cada mês por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários. O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Além disso, com o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar tornando outros investimentos mais atrativos, a caderneta de poupança perde a atratividade. Até porque, há três anos a forma de remuneração da aplicação mudou. Pela regra de maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 13,25% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR. Com a economia fraca, a população tem recorrido à caderneta para tentar manter seu orçamento Apesar de ainda ser uma marca significativa, o resgate da poupança no mês passado perdeu fôlego, ficando bem abaixo de março. Na ocasião, R$ 11,438 bilhões deixaram a aplicação, a maior quantidade de saques vista em um mês desde que o BC começou a compilar os dados atuais, em 1995. O pior mês de abril até então destes últimos 20 anos havia sido registrado em 2003, quando os resgates superaram as aplicações em R$ 2,196 bilhões. Com o resultado do mês passado, o saldo total da poupança ficou em R$ 648,309 bilhões, já incluindo os rendimentos do período, no valor de R$ 3,869 bilhões. Os depósitos na caderneta somaram R$ 150,510 bilhões em abril, enquanto as retiradas foram de R$ 156,361 bilhões. Além da mudança de regra, em fevereiro a aplicação sofreu um golpe nas redes sociais. O rumor era o de que o governo poderia confiscar a poupança e outras aplicações financeiras. O Ministério da Fazenda correu para desmentir os boatos e divulgou nota garantindo que as informações não tinham procedência. "Tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência e a valorização do aumento da taxa de poupança de nossa sociedade, promovida pelo governo, através do Ministério da Fazenda", trouxe um trecho do comunicado.






Fonte: JC

BC vê convergência da inflação para meta ao final de 2016, diz ata.

No documento, que explica a elevação dos juros para 13,25%, o BC ajustou para cima a projeção de alta dos preços administrados.

O Banco Central afirmou que as decisões futuras de política monetária serão tomadas com vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% ao final de 2016, retirando a menção em ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que isso ocorreria ao longo do próximo ano. No texto, divulgado nesta quinta-feira, o BC ajustou para cima a projeção de alta de preços administrados em 2015 para 11,8%, ante 10,7% anteriormente. Diante da persistência de pressões inflacionárias, o BC elevou novamente na semana passada a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto porcentual, chegando a 13,25% ao ano, apesar das perspectivas de retração da economia.




Fonte: JESP

Mudança no cálculo do PIB reduz participação da indústria na economia.

Nova metodologia adotada pelo IBGE diminui de 12,7% para 10,9% a fatia da indústria na economia brasileira, que ainda deve ser pressionada por alta no custo da energia e juros altos.

A participação da indústria de transformação na economia brasileira é menor do que se imaginava. A mudança no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no País) promovida pelo IBGE deu ao setor industrial uma fatia de apenas 10,9% da economia nacional. Sem as alterações de metodologia das contas nacionais, a participação estaria em 12,7%. O cálculo faz parte de um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que confirma a forte deterioração do setor nos últimos anos. “A queda da indústria traz consequências graves para todo o País. O setor é um estimulador do crescimento e um multiplicador da renda”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp A perda de participação da indústria na economia escancarou um descompasso econômico. O setor tem uma baixa representatividade num cenário no qual o PIB per capita brasileiro ainda é mediano. Ou seja, o País ganhou uma característica de economia madura antes da hora. Normalmente, ao se desenvolverem, os países enfrentam processos de desindustrialização, mas com um nível de renda mais elevado.
Ranking.
O levantamento da Fiesp também analisou o tamanho do setor industrial em 20 países, além do Brasil, com renda per capita de mesmo nível. Com base nos dados disponíveis de 2013, o resultado mostrou que a fatia da indústria brasileira é uma das menores do mundo.


Há dois anos, a fatia da indústria de transformação era de 11,5% do PIB, mesmo nível observado no Chile e superior apenas à da Grécia (8,5%). Os países com maior participação do setor industrial foram Tailândia (32,9%), China (31,8%) e Coreia do Sul (31,1%) (ver quadro). “Até a crise de 2009, a indústria brasileira conseguia manter uma certa participação no PIB porque as exportações de manufaturados estavam num nível razoável. Depois da crise, a indústria não se recuperou mais e começou a cair vertiginosamente”, diz Nelson Marconi, coordenador executivo do Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). O desempenho ruim do setor ficou mais evidente depois da crise internacional porque a demanda por produtos manufaturados brasileiros diminuiu nos principais mercados de exportação, como Europa e Estados Unidos, afetados diretamente pela turbulência internacional. Na época, o câmbio também se valorizou e elevou a perda de competitividade do setor. “A taxa de câmbio se valorizou até 2012. A balança comercial do setor de manufaturados piorou muito nesse período, o que afetou muito a indústria. As medidas que o governo adotou para estimular a indústria foram na verdade atendidas em boa parte pelos importados”, afirma Marconi. No dia a dia das empresas, a perda de participação da indústria se traduziu em ajustes. A Fiamm, empresa de autopeças que produz e importa buzinas, chegou a ter três turnos de funcionários – no auge de vendas para o setor automotivo. Hoje, tem apenas um. “Em 2013, tivemos um pico de volume, mas já havia uma influência de importados. Este ano o volume está uma tragédia”, afirma Josué Leite de Paula, diretor-geral da empresa Por ora, a projeção da Fiesp é que a indústria de transformação continue perdendo participação em 2015. A entidade estima que o setor deverá responder por 10,6% do PIB. O setor lida com uma combinação perversa: aumento no custo de energia, juros elevados e crédito mais restrito, além do desaquecimento geral da economia, que reduz a demanda por produtos industriais. “Nesses primeiros quatro meses de 2015, a situação está crítica. O volume está muito abaixo do ano anterior, que já foi menor do que o de 2013. Se comparar 2015 com 2013, há uma queda de quase 30% nos volumes pedidos”, afirma Edson Furlanetto, presidente da fabricante de autopeças Kostal.






Fonte: JESP