Operadoras Oi e Portugal Telecom anunciam fusão de operações no
Brasil, Europa e África, em negócio que criará a multinacional CorpCo, com
receita de R$ 37,5 bilhões e mais de 100 milhões de clientes, além de
possibilidade de sinergias de R$ 5,5 bilhões
A
Oi e a Portugal Telecom (PT) anunciaram ontem o primeiro passo para a fusão de
suas operações no Brasil, Europa e países da África. O negócio criará uma
multinacional chamada inicialmente de CorpCo, com receita de R$ 37,5 bilhões,
mais de 100 milhões de clientes e expectativa de sinergias de R$ 5,5 bilhões. O
acordo confirma os rumores sobre uma união entre as empresas, intensificados quando
o executivo Zeinal Bava deixou a PT para assumir o comando da operadora brasileira,
em junho. A fusão das duas empresas ocorre pouco mais de dois anos depois da
entrada da Portugal Telecom no capital da Oi. Na época, os acionistas frisaram que
a empresa permaneceria sob controle nacional. No entanto, a participação dos
principais acionistas brasileiros da Oi na Corp.Co só ficará delineado ao final
de um processo de aumento de capital que pretende injetar mais R$ 8 bilhões na
operadora por meio de uma oferta pública de ações, ainda sem data para ser
concluída. Além desse montante, outros R$ 6,1 bilhões em ativos da PT entrarão
na Oi, somando cerca de R$ 14,1 bilhões. O presidente da Oi, Zeinal Bava, disse
que a companhia trabalha para melhorar o seu fluxo de caixa e diminuir o
endividamento. “Nós gostaríamos de nos próximos trimestres entregar o prometido
ao mercado”, disse em teleconferência e entrevista a jornalistas. Bava também
assumirá a presidência da CorpCo. O fôlego financeiro chegará em um momento em
que a Oi se esforça para ampliar sua penetração no mercado. Para a PT também é
uma válvula de escape para estender suas fronteiras além do saturado mercado de
telefonia de Portugal. Mas a nova companhia resultante da operação, a CorpCo,
nasce também com uma dívida bilionária: R$ 41,2 bilhões e uma pesada relação
entre capital de terceiros e caixa, de 3,3 vezes. O fato relevante encaminhado à
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prevê que os atuais acionistas da Telemar
Participações (TelPart), hoje controladora da Oi, e um veículo de investimento
administrado pelo BTG Pactual participarão do aumento de capital de até R$ 8
bilhões com cerca de R$ 2 bilhões. Não está definida, entretanto, a
participação individual deles. O atual bloco de controle da Oi inclui o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os fundos de pensão
estatais Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Fun-Cef (Caixa Econômica
Federal) – com 38% da TelPart – Andrade Gutierrez Telecom e La Fonte Telecom. A
PT detém mais de 25% da TelPart, se somadas participações indiretas na AG
Telecom e na LF Telecom. A incerteza sobre o nível de participação dos fundos,
do BNDES e dos sócios nacionais privados, e mesmo de investidores brasileiros
na capitalização da nova empresa, levanta a hipótese de que o plano sustentado
pelo governo para a criação de uma supertele nacional com a compra da Brasil
Telecom pela Oi esteja sendo desmontado. O ministro das Comunicações, Paulo
Bernardo, afirmou que o BNDES e os fundos de pensão não têm interesse em elevar
suas fatias na nova tele. Em nota, o BNDES, que participou do esforço do
governo na época da criação da chamada “supertele nacional", destacou que
"a iniciativa consolida a internacionalização da Oi” e que “a
capitalização proposta robustecerá sua capacidade financeira e de
investimento”. O acordo prevê que ao final da operação a Portugal Telecom terá
38,1% de participação na nova empresa – fatia que não poderá ser inferior a
36,6% ou superior a 39,6% do capital total. Fontes observam que os portugueses
ganham poder político na operadora. Além de Bava como CEO, a CorpCo terá como
vice-presidente o atual presidente da PT, Henrique Granadeiro, e representantes
dos maiores acionistas da portuguesa no conselho, o grupo Ongoing e Espírito
Santo. A CorpCo terá ações listadas na Bolsa de Nova York e na NYSE Euronext
Lisbon, e no Novo Mercado, mais alto segmento de governança corporativa da BM&FBovespa.
Isso significa que a estrutura acionária será simplificada, passando a ter apenas
uma classe de ações: ordinárias. A Oi será incorporada e se tornará uma
subsidiária integral da CorpCo, assim como a Portugal Telecom. Cada ação
ordinária da Oi será substituída por uma ação ordinária de emissão da CorpCo.
Já a ação preferencial dará direito a 0,9211 ações da CorpCo. A operação deverá
passar pelo crivo de órgãos reguladores como o Conselho Nacional de Defesa
Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), além de assembleia
de acionistas. A estimativa é que a fusão seja concluída no primeiro semestre
de 2014.
TIM
A
Oi e a PT anunciam sua fusão cerca de uma semana após a espanhola Telefónica
ter fechado um acordo com os principais acionistas da holding que controla a Telecom
Italia, aumentando sua participação no grupo. Na avaliação dos especialistas, porém,
o novo quadro de injeção de capital, não daria fôlego suficiente para que a
nova empresa pudesse, por exemplo, fazer uma oferta para aquisição da TIM no
Brasil. “Qualquer operadora (Oi, Vivo ou Claro) vai enfrentar problemas
regulatórios para comprar a TIM. A Oi/PT vai ter mais recursos, mas não devem ser
usados para comprar a TIM”, disse uma fonte. Uma das hipóteses é que, ao invés
da nova empresa comprar a TIM, poderia ocorrer um movimento de saída dos
acionistas ligados ao governo – BNDES, Previ e Funcef e Petros – para, com
esses recursos, adquirirem o braço brasileiro da Telecom Italia. “Neste caso,
não haveria sobreposição de mercado e se manteriam quatro grandes
concorrentes”, afirmou a fonte.
Fonte: JC
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