Venda de estatais pode atingir valor recorde no País





Com a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, depois de quase cinco meses de negociações e muito vaivém, uma nova fase começa a se desenhar para o governo e para o País. Embora ainda falte a votação final na Câmara e a do Senado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já avisou que agora será a vez de acelerar as privatizações, conduzidas até hoje em marcha lenta, para evitar “marolas” que pudessem comprometer as mudanças na Previdência. O programa de privatização de Guedes é ambicioso. Se for concretizado, ainda que parcialmente, promete mudar o perfil da economia do País. Um levantamento realizado pelo Estado indica que o programa de desestatização do governo poderá render até R$ 450 bilhões. 

O resultado inclui 132 participações acionárias diretas ou indiretas da União, com potencial para negociação pulverizada no mercado ou em bloco, e os valores mínimos de outorga da cessão onerosa de áreas do pré-sal e de duas rodadas de licitações de petróleo e gás natural, que devem ocorrer ainda neste ano. 

O levantamento levou em conta operações de privatização, desinvestimento, abertura de capital e venda de participações minoritárias de estatais e suas subsidiárias. Também considerou as participações do BNDES, via BNDESPar, seu braço de investimento, em empresas de capital aberto e fechado, cujo valor total de mercado atualizado é de R$ 143,7 bilhões.

Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa e BNDES, excluídos em princípio do programa de desestatização do governo Bolsonaro, não entraram na pesquisa. Como os valores mínimos de outorga para concessões de serviços públicos no segundo semestre e nos próximos anos não estão definidos, elas também não entraram na conta. O mesmo aconteceu com os imóveis públicos que o governo pretende repassar para fundos imobiliários, com valor calculado em R$ 30 bilhões pelo Ministério da Economia.

As estimativas de arrecadação com o programa de desestatização apresentam uma dispersão considerável. Guedes, por exemplo, fala na possibilidade de arrecadar R$ 1 trilhão – número “mágico” ao qual recorreu também na reforma da Previdência – até 2022. Mais conservador, o secretário Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercado, Salim Mattar, ligado a Guedes, já previu algo entre R$ 700 bilhões e R$ 800 bilhões, mas hoje trabalha com uma receita de R$ 635 bilhões, acrescentando R$ 115 bilhões de outorgas em concessões e os imóveis. 

No mercado financeiro, as previsões estão mais próximas dos valores apurados pelo Estado. O Bradesco BBI, braço de investimento do grupo, calcula que seja possível arrecadar R$ 470 bilhões em desestatizações na esfera federal. Para o banco Credit Suisse, o potencial de arrecadação com desestatizações no Brasil foi estimado em R$ 400 bilhões.

Se conseguir amealhar a metade do que apontam os levantamentos do Estado, do Credit Suisse e do Bradesco – algo entre R$ 200 bilhões e R$ 235 bilhões –, o governo já terá realizado o maior programa de desestatização em todos os tempos no Brasil. Segundo estudo do BNDES, as 99 operações de desestatização efetuadas de 1990 a 2015 no País renderam no total US$ 54,5 bilhões. No governo Temer, foram mais R$ 46,4 bilhões (cerca de US$ 12 bilhões) em 124 projetos, dos quais R$ 28 bilhões só na área de petróleo. Somando tudo que se fez até agora, dá um total de US$ 66,5 bilhões, equivalente a um terço do que a atual gestão arrecadaria no cenário mais pessimista considerado acima.

Caso os planos de Guedes se realizem, o Brasil também poderá se habilitar ao título de País com o maior programa de desestatização do mundo no período. Em número de operações, Angola, por exemplo, tem mais de 190 empresas na fila para privatização, de acordo com Mattar, e pode até superar o Brasil em número de empresas privatizadas. Mas, em volume financeiro, não há notícia de que nenhum dos grandes países emergentes ou mesmo desenvolvidos esteja tocando um programa dessa magnitude. Mesmo no Ministério da Economia, ninguém havia se dado conta dessa possibilidade até agora.

Redução

Formado na Universidade de Chicago, templo do liberalismo global, Guedes quer reduzir ao máximo a intervenção estatal na economia. Em sua visão, as estatais, muitas delas deficitárias, consomem o dinheiro que deveria ir para a educação, a saúde e a segurança, áreas que o governo deve privilegiar, em vez de se movimentar como empresário por aí. Além disso, a proliferação de estatais dispersa a energia da máquina pública, compromete a eficiência e a produtividade da economia e abre espaço para o tráfico de influência e a corrupção. “Privatizar só no sapatinho, envergonhadamente, não”, disse Guedes recentemente. “Tem de acelerar a privatização para jogar o dinheiro na área social.”

Além de deixar o Estado mais leve, seu objetivo com o programa de desestatização é usar os recursos para reduzir a dívida pública, hoje na faixa de R$ 3,9 trilhões (79% do PIB), e permitir uma queda sustentável dos juros, que representam o segundo maior gasto do governo – de cerca de R$ 350 bilhões em 2018 –, depois da Previdência.

Desta vez, ao contrário do que aconteceu nos anos 1990, na primeira onda de privatizações nos governos Collor, Itamar e FHC, o BNDES não deverá ter papel preponderante no financiamento das operações. De acordo com Marcelo Noronha, vice-presidente executivo do Bradesco, os investidores externos estão olhando o Brasil com lupa e não deverá faltar dinheiro de fora nem daqui para bancar os negócios. 

Outra questão importante que ele destaca: agora, os fundos de pensão das grandes estatais, como Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa) não deverão ser fundamentais nos leilões, como ocorreu no passado. “Hoje, há uma liquidez no mercado internacional que não existia naquela época”, diz. “Com as variáveis reunidas hoje no mundo, o Brasil se tornou o país preferido dos investidores entre os mercados emergentes. Com a reforma da Previdência feita, a tendência é o processo ganhar tração.”

Noronha diz estar analisando diversos projetos de desestatização com clientes do País e do exterior. Ele conta que estava conversando recentemente sobre o assunto com o presidente de uma grande empresa internacional e ele lhe disse: ‘Tenho interesse e vou fazer negócio no Brasil. Vou comprar ativos, estarei nos leilões.” Ele estima que possam entrar até US$ 100 bilhões de investidores estrangeiros na Bolsa neste processo. 

Um impulso adicional para atrair o pessoal de fora pode ser dado com a flexibilização das regras de operação de empresas privadas nas áreas de saneamento, com o possível fim do monopólio das estatais estaduais, e de gás natural, com o fim do monopólio da Petrobrás. “O nível de interesse dos investidores por esses dois setores é enorme”, diz Bruno Fontana, diretor do banco de investimento do Credit Suisse no Brasil. “O potencial de investimento no mercado de saneamento no País, uma vez acordado o novo marco regulatório, não tem igual no mundo hoje.”

No Brasil, os tentáculos do Estado se espalham por quase todas as áreas da economia, da extração de petróleo às comunicações e à produção de chip para rastreamento de animais; da geração de energia à construção de ferrovias e à administração de portos e aeroportos. No governo Dilma, criou-se até uma empresa para cuidar do trem-bala, cujo projeto consumiu milhões de reais, mas nunca saiu do papel, e ela continua a existir até hoje com outro nome. 

Embora o ex-presidente Michel Temer tenha dado novo impulso ao programa de desestatização, que patinou durante os governos Lula e Dilma, ao promover um corte no número de estatais, de 154 para 134, o Leviatã pareceu mal sentir o golpe. O Brasil ainda é o país da América Latina com o maior número de estatais, de acordo com Mattar.

Fatia

Segundo dados oficiais, das estatais que restaram, 46 têm controle direto da União e 88, controle indireto – são 35 subsidiárias da Petrobrás, 30 da Eletrobrás, 16 do Banco do Brasil, 3 da Caixa, 3 do BNDES e 1 dos Correios. A União ainda detém 58 participações minoritárias em empresas privadas e públicas (estaduais e federais).

Há dúvidas, porém, também aqui, quanto à precisão dos números. Muitos analistas suspeitam que a presença do Estado na economia seja bem mais ampla. Nem o próprio governo sabe exatamente de quantas empresas é sócio, em especial de forma indireta. O próprio Mattar disse recentemente que pretende fazer uma nova pesquisa para apurar de forma mais precisa o número de estatais em nível federal, estadual e municipal. Para ele, o total de estatais nas três esferas, hoje de 440, pode ser até 50% maior do que o divulgado agora. Levantamento realizado pela revista Época em 2011 apurou a existência de pelo menos 675 empresas com algum traço de participação da União, de estatais federais ou de suas subsidiárias no capital.

Hoje, embora a privatização tenha deixado de ser um palavrão no País e o cenário seja mais favorável do que há alguns anos, ela ainda encontra resistência em parcelas da população. Pesquisas apontam resultados contraditórios, que revelando uma polarização em relação ao tema, como acontece com várias outras questões atualmente. Uma sondagem feita no início do ano pela Paraná Pesquisas mostra que 53,3% dos entrevistados apoiam a venda da totalidade ou de uma parte das estatais, enquanto 41,5% se disseram contrários à privatização. 

Já uma pesquisa feita pelo Datafolha na mesma época apurou que 60% rejeitam a desestatização, ao passo que 34% afirmaram que o governo deveria vender o maior número possível de empresas públicas. Entre os que disseram ser apoiadores do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, 65% se declararam a favor da privatização.

No Congresso, as trincheiras dos estatistas estão bem montadas, reforçadas por parlamentares de todos os partidos. Pelo Legislativo, só deverão passar as propostas de privatização das empresas controladas diretamente pela União, conforme decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Se isso libera a venda das subsidiárias pelas empresas-mãe, amarra a privatização de empresas como a Eletrobrás, que já entrou no rol de privatizáveis do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), uma espécie de hub do governo para informações sobre privatizações e concessões. Os Correios, cuja operação recebeu o aval público de Bolsonaro antes de ele demitir o general da reserva Juarez Cunha, ex-presidente da empresa, declaradamente contra a desestatização, também terão de passar pelo mesmo processo. A discussão deve pegar fogo no segundo semestre.

Resistência

Mas é provavelmente dentro do próprio governo que Guedes e Mattar enfrentam hoje a mais dura batalha para fazer deslanchar as privatizações propriamente ditas e extinguir as empresas consideradas dispensáveis. Os estatistas estão por todos os lados na Esplanada dos Ministérios. Mattar chegou até a se dizer “frustrado” pela lentidão do processo. “Eu não tenho controle absoluto das desestatizações”, afirmou.

Até o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, um técnico que tem estruturado com eficiência as concessões na área, abraçou a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), aquela do trem-bala, que está até repondo vagas e contratando pessoal, e a Valec, de construção e gestão ferroviárias. Ambas estavam na lista de extermínio do Ministério da Economia. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que também estava jurada de morte, ganhou sobrevida na gestão do ex-ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, e ao que parece também teria deixado a UTI.

Outro que “sentou em cima” de suas estatais foi o ministro Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ele se recusa a privatizar ou fechar qualquer uma das empresas ligadas ao seu ministério – os Correios, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Telebrás e o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). As divergências entre Mattar e Pontes chegaram ao limite e hoje, segundo uma fonte do Ministério da Economia, eles nem se falam. De quebra, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ainda resiste à privatização da Cia. Nacional de Abastecimento (Conab). 

Para não deixar o programa de privatização parar de vez, por falta de empresa para privatizar, a saída encontrada por Guedes foi acelerar as operações de vendas de subsidiárias e de participações dos bancos ligados à sua Pasta – a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES – e também contar com o apoio de seu amigo Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás, para turbinar o processo no seu quintal.

Com o desafio de colocar a privatização em movimento no segundo semestre, mas dependendo de outros ministros para avalizar as operações, Guedes terá de contar com o apoio de Bolsonaro para superar as resistências de seus pares. Ele aposta que Bolsonaro, cuja história é marcada por posições intervencionistas e estatizantes, converteu-se de fato à sua cartilha liberal, como tem dito desde a campanha, e irá “bancar” o ambicioso programa de privatização que pretende implementar, apesar dos sinais contraditórios que ele mostra de tempos em tempos. Não vai demorar para se saber o desfecho da história. 



Fonte: Estadão

Equipe econômica pretende unificar reformas tributárias





O governo pretende fazer uma proposta de reforma tributária para conciliar as diversas sugestões em curso, tanto os projetos de reformas que tramitam na Câmara e no Senado quanto os sugeridos pelos secretários de Fazenda dos Estados e por empresários.

Além da fusão de vários tributos federais em um só, o governo avalia a criação do Imposto de Renda Negativo e a redução da alíquota do IR das empresas, como fez o governo de Donald Trump, nos EUA, que cortou de 35% para 20% o IR sobre pessoas jurídicas. Com a abertura da economia, segundo a equipe econômica, o sistema tributário brasileiro precisa se aproximar do vigente nos principais parceiros comerciais do país, para que não haja perda de competitividade das empresas.

O IR negativo pressupõe a definição de uma determinada linha de renda. Acima dela, paga-se um percentual de imposto e, abaixo, recebe-se uma fração do tributo. Funciona como um programa de renda mínima. Esse sistema foi citado pela primeira vez por Juliet Rhys-Williams, política britânica nos anos 1940 e a ideia foi abraçada pelo pai do liberalismo o economista Milton Friedman. No Brasil, foi instituída a renda básica de cidadania pela Lei 10.835, de 2004, proposta pelo então senador Eduardo Suplicy, mas nunca foi implementada.

Estudos do Ministério da Economia avaliam também o fim das deduções de despesas médicas em troca de redução das alíquotas do IR das pessoas físicas em todas as faixas de renda.

Espera-se, na questão tributária, um "belo embate" de propostas, segundo um assessor qualificado da Economia. A Comissão Especial da Câmara começa a discutir a emenda do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), elaborada com base em proposta do economista Bernardo Appy. O Senado desengavetou projeto do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. "Ambas são irmãs gêmeas", segundo o assessor do ministro Paulo Guedes. O PSL, partido do presidente Bolsonaro, pretende ressuscitar a ideia do Imposto Único.



Fonte: Valor

Como mercado financeiro, policiais federais e agronegócio conseguiram vantagens na Reforma da Previdência



A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (10), em primeiro turno, o texto-base da reforma da Previdência, com placar expressivo: 379 votos a favor e 131 contra. Foram quase seis meses de discussão desde que o texto chegou à Câmara. Ao longo deste período, várias categorias econômicas e profissionais se mobilizaram para garantir benefícios ou evitar se prejudicar na reforma - e algumas delas conseguiram.
Foi o caso do agronegócio, que conseguiu barrar uma contribuição previdenciária sobre o setor, cujo impacto era estimado em R$ 84 bilhões ao longo dos próximos 10 anos. Outros grupos que estão conseguindo regras mais brandas são policiais federais e militares - ambos da base eleitoral do presidente Jair Bolsonaro. Caso a reforma entre em vigor nos termos aprovados nesta quarta pela Câmara, essas categorias conseguirão se aposentar mais cedo que a maioria dos brasileiros, que estarão submetidos a exigência de idade mínima de 65 anos para homens e de 62 para mulheres.
Um levantamento do jornal O Estado de São Paulo usou dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) para mostrar que o número de organizações autorizadas a enviar pessoas para fazer pressão sobre os deputados mais que dobrou no começo deste ano. Até o fim de 2018, a Câmara tinha 181 entidades registradas. Hoje, este número é de 359.
Foi comum ver sindicalistas ligados ao serviço público e representantes de entidades empresariais conversando com congressistas nos corredores da Câmara nos últimos dias.
"Neste momento, não convém ficarmos identificando pontualmente determinadas categorias porque o presidente entende que todo mundo vai ter sua cota de sacrifício", disse na terça-feira o porta-voz a Presidência, General Otávio do Rêgo Barros, ao ser questionado sobre a regras para policiais.
A reforma da Previdência é uma proposta de emenda à Constituição (PEC). Isto significa que ela precisa enfrentar mais um turno de votação na Câmara e mais dois no Senado. Além disso, os deputados devem continuar votando nesta quinta-feira (11) os destaques e as emendas ao texto - que são propostas de alteração. Por isto, é possível que o texto ainda mude.
Mas até agora, quais são os interesses que estão prevalecendo na discussão da reforma da Previdência? A reportagem da BBC News Brasil destaca seis interesses que foram atendidos na votação da reforma da Previdência.

O agronegócio exportador

A principal mudança que beneficiou o agronegócio aconteceu durante a votação dos destaques ao texto do relator Samuel Moreira (PSDB-SP), na comissão especial.
No texto original do tucano, as exportações de produtos agrícolas passavam a pagar uma contribuição previdenciária, cujo impacto era estimado em R$ 84 bilhões ao longo dos próximos 10 anos. Mas graças a um destaque da bancada ruralista, este trecho foi removido - e as exportações do agronegócio continuarão isentas.
O destaque que manteve a isenção para o agronegócio foi o último a ser votado na comissão, no dia 3 de julho. Foi aprovado por volta das 2h da manhã. O destaque foi apresentado em bloco pelos partidos PP, PTB e MDB.
Além de manter a isenção, o destaque também acabou com uma salvaguarda que Moreira tinha incluído no texto: o relator queria criar um prazo de 60 meses para que as empresas renegociassem suas dívidas previdenciárias com o governo. Este trecho foi retirado.

Fintechs e outras empresas do mercado financeiro

Durante a discussão da reforma na Comissão Especial, o relator, Samuel Moreira (PSDB-SP) cogitou aumentar a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) para bancos e instituições financeiras, dos atuais 15% para 20%. Era uma forma de aumentar a arrecadação do governo para preservar o impacto positivo da reforma sobre as contas públicas.
Mas quando o relatório de Moreira foi apresentado, em 3 de julho, só os bancos grandes e médios estavam no pacote: corretoras, sociedades de crédito, fintechs (startups da área financeira), a Bolsa de Valores de São Paulo e outras empresas do mercado financeiro ficaram de fora do aumento. Continuarão pagando apenas 15%. As cooperativas de crédito pagarão 17%.
A CSLL é um tributo federal pago pelas empresas e destinado a financiar a Seguridade Social.

Empresas de previdência privada

Em 2012, a então presidente Dilma Rousseff (PT) aprovou no Congresso uma reforma da Previdência que tinha como alvo principal os servidores públicos. Os profissionais que entraram no Estado a partir daquele ano não teriam mais o direito automático à aposentar-se com o mesmo salário que tinham no fim da carreira - quem quisesse uma aposentadoria maior deveria fazer um plano de previdência privada. No caso dos servidores da União, esses planos ficaram a cargo da Funpresp - a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público da União.
Mas agora isto não é mais obrigatório: a administração poderá ser feita também por fundos privados.
Embora seja uma fundação de direito privado, a Funpresp tem "natureza pública". Ela é obrigada a fazer concurso para contratar funcionários; precisa seguir a Lei de Licitações para fazer compras; e não tem fins lucrativos - diferente das empresas de previdência privada.

Policiais federais e outras categorias de segurança

Com apoio do presidente Bolsonaro e de deputados da bancada da segurança pública, também chamada de bancada da bala, policiais federais e outros servidores da área de segurança devem conseguir regras de aposentadoria mais brandas que a maioria da população.
O regime mais suave também deve atender policiais civis do Distrito Federal, policiais legislativos, policiais rodoviários federais, agentes penitenciários e agentes socioeducativos.
Segundo o líder da maioria na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), há acordo entre líderes partidários para que o plenário da Câmara aprove destaque fixando idade mínima para aposentadoria de 53 anos para homens e 52 para mulheres dessas categorias. No texto base aprovado no plenário, a previsão é de idade mínima de 55 anos.
A regra em vigor permite que essas categorias se aposentem com qualquer idade, desde que cumpram um tempo mínimo de contribuição - 30 anos, se homem, e 25 anos, se mulher.
Em outra vitória, essas categorias caminham para garantir a integralidade (aposentadoria pelo último salário) e a paridade (manter reajustes concedidos aos salários da ativa) para todos que ingressaram na categoria até a reforma da Previdência entrar em vigor. São dois benefícios que a maioria dos que ingressaram a partir de 2004 no serviço público já perdeu.
O texto aprovado pelo plenário diz que servidores públicos policiais podem se aposentar "na forma da Lei Complementar nº 51", que prevê o direito a "proventos integrais". Esses grupos têm pedido na justiça o direito a se aposentar com o último salário, com base nessa lei.
Em 2017, ainda no governo Michel Temer, a Advocacia Geral da União se manifestou contra esses pedidos na Justiça. Agora, sob a gestão de Bolsonaro, a AGU deve mudar seu parecer, defendendo o direito à integralidade.

Militares

O governo também quer mudar o regime de aposentadoria das Forças Armadas, mas isso está sendo tratado em um projeto de lei separado - ou seja, a aprovação dessa PEC não muda nada para eles.
A proposta do governo para os militares é mais branda que para o resto da população. Ela prevê que o tempo mínimo de serviço para ingressar na reserva passará de 30 anos para 35 anos, mas não estabelece idade mínima.
De acordo com dados levantados pelo Tribunal de Contas da União, 62% dos integrantes das Forças Armadas passam para reserva com menos de 50 anos. Com o aumento de cinco anos de contribuição, portanto, a maioria deve se aposentar antes dos 55.
A proposta também preserva os benefícios de paridade e integralidade, no que é apontado como um grande privilégio que está sendo mantido para a carreira militar. As Forças Armadas justificam essa diferença dizendo que os militares não se aposentam, mas passam para a reserva, podendo ser convocados. Na prática, porém, um percentual mínimo volta a trabalhar após sair da ativa.

Professores

Destaques que tentam suavizar as mudanças na aposentadoria de professores serão analisados nesta quinta no plenário da Câmara, mas não há acordo que garanta a aprovação - como no caso dos policiais federais.
No entanto, a categoria já havia conseguido mudar o texto enviado pelo governo na comissão especial da Câmara que analisou o texto. O texto aprovado nesta quarta prevê que professoras poderão se aposentar com 57 anos e professores, com 60 - a regra será a mesma para rede pública e privada.
Hoje, não há idade mínima na rede privada, mas é exigido tempo mínimo de contribuição. No setor público, a idade mínima nas regras atuais são 50 anos (mulheres) e 55 (homens).

A proposta original do governo era de estabelecer idade mínima de 60 anos e tempo de contribuição de 30 anos para ambos os sexos.


Fonte: BBC 

Capitalização já existe em 1,4 mil cidades




Um dos pontos mais polêmicos da reforma da Previdência, o regime de capitalização já existe em dois terços dos 2,1 mil municípios brasileiros que têm regimes próprios de aposentadoria para seus servidores. Realidade ainda pouco conhecida, a adoção desse modelo permitiu a cidades como Barueri (SP) e Joinville (SC) atingir o equilíbrio nas contas e abrir caminho para novos investimentos em saúde, educação e saneamento.

Outras prefeituras, porém, ainda travam uma batalha para cobrir o rombo previdenciário provocado pelo sistema e precisam bancar sozinhas alíquotas extras que levam a contribuição total sobre a folha a quase 50% da receita, como é o caso de Santa Maria (RS).

Nos regimes capitalizados dos municípios, tanto os servidores quanto as prefeituras contribuem para um fundo responsável por bancar as aposentadorias e pensões no futuro. O instituto responsável pode investir os recursos em aplicações para tornar o dinheiro mais rentável e aumentar a poupança. Hoje, cerca de R$ 130 bilhões dos servidores municipais estão aplicados no mercado.

O modelo é semelhante ao que o governo propôs para os trabalhadores da iniciativa privada, vinculados ao INSS, mas que foi retirada da reforma durante a tramitação na Câmara. A proposta da equipe econômica é que novos profissionais tenham uma poupança individual para a aposentadoria. A diferença é que, na capitalização individual, o valor do benefício depende do volume de contribuições e do retorno dos investimentos. Os servidores, por sua vez, têm assegurada uma aposentadoria de acordo com a média de salários.

No regime de repartição, como o INSS funciona hoje, as contribuições de quem está na ativa é que pagam o benefício de quem se aposentou.

A sugestão de um regime de capitalização para todos os trabalhadores virou tabu no Congresso e acabou saindo do texto. Mas o governo ainda aposta na retomada da autorização para a criação desse sistema na votação no plenário da Câmara.

O raio x da situação dos regimes próprios é acompanhado de perto pela Secretaria de Previdência do Ministério da Economia. A lei exige que eles façam uma avaliação atuarial anual dos benefícios atuais e futuros, contabilizando também as expectativas de arrecadação.

Grupos

Os municípios com capitalização se dividem em três grupos: quem tem as contas equilibradas ou até mesmo um superávit atuarial (ou seja, as arrecadações futuras são mais que suficientes para pagar todos os benefícios que serão concedidos nos próximos anos); quem tem déficit atuarial (as receitas não bastarão para bancar todas as aposentadorias e pensões); e quem tem parte dos servidores na capitalização e outra parte no modelo antigo, antes da criação do fundo.

No caso de déficit, um plano de equacionamento deve ser elaborado para sanar o buraco nas contas a tempo de não comprometer nenhum pagamento – lógica já adotada por fundos de pensão de funcionários de estatais, que cobram contribuições adicionais temporárias de seus participantes quando a crise aparece.

O custo desse plano hoje recai apenas sobre os cofres das prefeituras. A versão original da proposta de reforma previa a possibilidade de dividir o custo extra do déficit com os servidores, por meio de alíquotas extraordinárias. 

Mas o parecer aprovado pela Comissão Especial da reforma não só retirou Estados e municípios do alcance da proposta como também eliminou a autorização da cobrança adicional. Assim, a fatura do rombo continuará a ser bancada apenas pelos municípios, com dinheiro de tributos pagos pela população.

Caso o Congresso volte atrás e decida reincluir os municípios na reforma, as previsões de arrecadação e gastos de todos os regimes capitalizados vão melhorar, porque os servidores se aposentarão mais tarde. Prefeituras que hoje desembolsam uma folha salarial e meia por mês para tapar o rombo previdenciário teriam alívio nas despesas, pois o déficit a ser coberto será menor. Já os municípios equilibrados ficariam com situação ainda mais confortável e poderiam até reduzir alíquotas – tanto as patronais quanto a dos servidores. Em ambos os casos, haveria mais dinheiro para gastar em outras áreas.

Sob a capitalização, o impacto da reforma nos municípios poderia ser até maior que a economia de R$ 170,8 bilhões calculada pelo governo federal em dez anos. “A tendência é o impacto fiscal ser maior”, diz o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim. Segundo ele, ficarão menores não só os gastos previdenciários, mas também o peso da contribuição devida pelas prefeituras.

Conta azul 

Famosa no Brasil como o local de residência de artistas e cantores dos condomínios de luxo de Alphaville, o município de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, criou há 13 anos o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais (Ipresb). Na época, houve resistência dos servidores em migrar para a capitalização, conta o presidente do instituto, Tatuo Okamoto.

Nos cinco anos iniciais, os benefícios permanentes ficaram represados para engordar os recursos. Hoje, o Ipresb tem em caixa R$ 1,95 bilhão para bancar as aposentadorias e pensões dos servidores municipais. 

O município paga uma alíquota de 18,99% e os servidores de 11%. As contas no azul, segundo o prefeito de Barueri, Rubens Furlan, abrem espaço para os investimentos. Hoje, diz Furlan, Barueri aplica 15% da sua receita bruta em investimentos, boa parte em novas creches, unidades de saúde e escolas do ensino fundamental. 



Fonte: Estadão

Consumidor só tem a comemorar com acordo Mercosul-União Europeia




Para o consumidor brasileiro será importante e vantajosa a abertura do mercado com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). É salutar o aumento da concorrência e maior oferta de produtos para melhoria da qualidade e preços competitivos no mercado nacional. Obrigará a indústria a se mexer para se adequar ao livre comércio

Os consumidores terão acesso a queijos, vinhos, e veículos europeus a preços mais baixos que atualmente com o fim de tarifas de importação, assim como os produtores brasileiros passarão a enviar aos demais países seus produtos em condições mais vantajosas.

Agora cabe ao Congresso dar o aval para o acordo intercambial, além dos demais países do Mercosul e 28 parlamentos europeus envolvidos. para ele passar a valer no Brasil de forma gradativa. Aguarda-se a redução de tarifas, a eliminação de barreiras fitossanitárias e técnicas. Na prática veremos os primeiros efeitos dentro de três anos.

É importante a previsão de salvaguardas no acordo para que nenhum país seja prejudicado com danos à indústria local quando houver aumento expressivo de importações de determinado item da pauta comercial, com limite ao ingresso desse produto.



Fonte: Estadão

Justiça decreta falência da corretora Gradual




A Justiça de São Paulo decidiu pela falência da corretora Gradual. Em maio do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da empresa. 

No processo, a Gradual requereu autofalência e informou que não tinha capacidade para arcar com os seus compromissos diante da falta de capital de giro e elevado endividamento com instituições financeiras.

Ao decretar a liquidação extrajudicial da Gradual, em 2018, o BC pontou que a corretora apresentou "graves violações" às normas que regulamentam o setor e já apontava que a empresa tinha uma situação econômica-financeira comprometida.

Antes da decisão do BC, a Gradual já havia encerrado suas atividades na Bolsa de Valores. A empresa tinha em custódia R$ 7 bilhões, distribuídos em diversos fundos, e anunciava ter cerca de 60 mil clientes.

Em julho do ano passado, a corretora foi alvo da operação Papel Fantasma, da Polícia Federal, por suspeita de fraudar fundos de pensão de funcionários públicos municipais de oito municípios, em três estados. Segundo a PF, institutos de previdência de pelo menos oito prefeituras foram lesados, comprometendo o benefício de servidores municipais, como pensões e aposentadorias.




Fonte: G1

BR Distribuidora divulga prospecto preliminar de oferta secundária de ações da Petrobras




A BR Distribuidora divulgou prospecto preliminar de oferta pública secundária de ações nesta quarta-feira, na qual a sua controladora Petrobras buscará vender de 25% a 33,75% do capital social da subsidiária, em processo que pode privatizar a maior distribuidora de combustíveis do Brasil. 

A oferta total de ações dependerá do exercício de lotes adicional e suplementar.

A empresa informou que a data de início da oferta será divulgada mediante a divulgação do anúncio de início, com data estimada para 24 de julho.

“O pedido de registro da oferta encontra-se atualmente sob a análise da CVM, estando a oferta sujeita à sua prévia aprovação”, disse a Petrobras, destacando que não haverá registro da oferta ou das ações no exterior.

O conselho de administração da petroleira estatal havia aprovado em maio a venda de uma participação adicional na BR, reduzindo sua fatia na empresa para menos de 50%.

Atualmente, a Petrobras detém uma participação de 71,25% na BR Distribuidora, após ter feito no final de 2017 uma oferta inicial de ações da subsidiária (IPO, na sigla em inglês) que levantou cerca de 5 bilhões de reais



Fonte: Reuters

Retorno de carteira de ações do BNDES supera Ibovespa




O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve um ganho econômico de R$ 74,8 bilhões em cinco anos com empresas listadas na bolsa de valores das quais é sócia. Em dez anos, esse ganho é um pouco menor, mas ainda assim relevante: R$ 66,3 bilhões. Os números correspondem a um aumento da "riqueza" do banco em um conjunto de empresas abertas que, no fim de março deste ano, representavam 88% da carteira de renda variável do sistema BNDES.

O cálculo, elaborado pelo banco a pedido do Valor , considera uma carteira de "partida" de ações de empresas abertas em poder do BNDES, na data em que foram compradas. Se as ações estavam na carteira há mais tempo, toma-se por base, para o cálculo, o número de papéis que o banco possuía e o valor desses ativos no mercado na data de arrancada (cinco ou dez anos). A essa carteira se somam proventos que o BNDES recebeu ao longo do tempo como dividendos, juros sobre capital próprio, resultado com venda de ações e, em alguns casos, juros sobre debêntures. Chega-se, assim, ao ganho econômico. Para calculá-lo, leva-se em conta o que o banco recebeu de proventos mais a posição da carteira final (em 31 de março de 2019), deduzindo eventuais investimentos no período de cinco ou dez anos e a carteira de "partida". É usado o conceito de ganho econômico porque o BNDES ainda não vendeu a carteira e, portanto, não realizou lucro ou prejuízo nas operações.

O bom resultado do banco em empresas abertas é demonstrado pela rentabilidade da carteira da BNDESPar, a empresa de participações do BNDES. Em cinco anos, esse retorno foi de 17,1% ao ano, acima do Ibovespa, principal índice da B3, de 13,6% ao ano. Em dez anos, a conta é mais ajustada, mas ainda assim favorável ao banco: rentabilidade de 9,1% ao ano nas ações da carteira da BNDESPar frente a um Ibovespa que rendeu 8,8% ao ano. Em 15 anos, a conta é 12,2% ao ano na carteira de ações da subsidiária do BNDES ante 10,2% ao ano do Ibovespa. As contas têm como data final o dia 31 de março deste ano, fim do primeiro trimestre, último resultado contábil disponível do BNDES.

Os dados sobre a carteira de ações em empresas abertas do sistema BNDES são importantes por dois motivos. Primeiro porque há uma pressão do governo para que o banco venda a carteira o mais rápido possível. Esse teria sido, inclusive, um dos fatores da insatisfação do governo com a gestão de Joaquim Levy no BNDES, que terminaram com a saída do executivo do banco, em junho. O outro fator é justamente resultado do primeiro. Com o pedido de demissão de Levy, o governo indicou o economista Gustavo Montezano como novo presidente do BNDES. Com a posse de Montezano, esperada para os próximos dias, a diretoria do BNDES tem a expectativa de avançar na discussão com o conselho de administração do banco sobre a estratégia de venda da carteira de ações de empresas abertas, que é concentrada na BNDESPar.

No fim de março, as participações do sistema BNDES - que considera o próprio banco mais a BNDESPar - em companhias abertas e fechadas somavam R$ 120,5 bilhões a valor de mercado. Desse total, a parcela em ações corresponde a R$ 110, 8 bilhões. Há ainda subscrição de debêntures, no montante de R$ 7,8 bilhões, e cotas em fundos de investimento que somam R$ 1,9 bilhão. A carteira de ações do sistema BNDES é concentrado tanto em termos de setores como em termos de empresas. Entre os principais papéis estão Petrobras (óleo e gás), Vale (mineração), Eletrobras (energia elétrica), JBS (proteína animal) e Suzano (papel e celulose), entre outros.

As informações elaboradas pelo BNDES sobre o retorno nas companhias abertas nas quais é sócio mostra que o banco teve desempenhos positivos em quase todos os papéis. A métrica utilizada para fazer essa medição é a Taxa Interna de Retorno (TIR), que considera todas as entradas e saídas do fluxo de caixa do investimento e o valor de mercado inicial e final da posição acionária. No caso de Petrobras, por exemplo, a TIR de cinco anos na carteira do BNDES foi de 14,44% ao ano. Esse desempenho garantiu ao BNDES um ganho econômico de R$ 30,5 bilhões no período, diferença entre a posição inicial e a posição final do banco no papel, somando-se os proventos. A TIR de 14,44% ao ano para Petrobras é leve mente superior ao Ibovespa no período (13,6% ao ano). A maior TIR da carteira é da Gerdau (72,43% ao ano em cinco anos). A menor taxa de retorno corresponde à Embraer (negativa em 0,64% ao ano no mesmo período). No meio estão papéis como Vale (TIR de 14,57% ao ano), Eletrobras (41,31% ao ano), JBS (20,86%) e Suzano (32,71%). A soma dos ganhos e e perdas de 19 empresas abertas na carteira do sistema BNDES permite chegar então ao ganho econômico de R$ 74,8 bilhões em cinco anos.

Nesse período, a TIR das empresas abertas nas quais o banco participa é quase toda positiva e de dois dígitos, com exceção de Cemig (4,96% ao ano), Tupy (5,21%), Light (5,34%) e Totvs (4,43%), além da citada Embraer. As TIRs de cinco anos na carteira do BNDES são maiores, em boa parte da amostra, em relação às taxas de retorno de dez anos. Esse fenômeno se justifica, segundo analistas, porque a carteira de partida do BNDES em cinco anos considera uma bolsa "depreciada", enquanto a TIR em dez anos partiria de uma bolsa mais alta, então as ações se valorizaram sobre uma base maior. A TIR da Petrobras em dez anos, por exemplo, foi de 1,90% ao ano (ver tabela ao lado).

Eliane Lustosa, diretora da área de privatizações do BNDES, diz que o banco está pronto para avançar em uma política de venda de ativos de renda variável. "O processo de venda [de ativos em bolsa] vem acontecendo e, em momento em que há uma valorização de mercado, existe uma boa oportunidade para acelerar essa desmobilização em renda variável", disse Eliane ao Valor.

Não há, porém, prazos fixados. A estratégia a ser seguida vai ser discutida pela diretoria do banco com o conselho de administração. Ambas as instâncias de decisão vão passar por mudanças. Segundo Eliane, o objetivo é pactuar com o novo conselho como se dará a venda e a velocidade desse processo. A ideia é que as ações que estão "maduras" na carteira e têm liquidez sejam vendidas desde que haja boas oportunidades no mercado.

"A partir do momento em que existe a percepção de que o valor da empresa no mercado está condizente com a expectativa de valorização é o momento de vender se a empresa tiver liquidez. Se não tiver, é o caso de buscá-la", disse Eliane. Nesse esforço, o BNDES pode contratar um banco para ajudá-lo. A contratação de bancos pode servir, inclusive, para fazer a venda de blocos relevantes de ações. Esse processo foi pactuado pelo banco com os órgãos de controle e, atualmente, o BNDES possui um ranking de instituições credenciadas que podem ser chamadas, em concorrência, para prestar serviço na venda de um ativo. Existem participações relevantes na carteira mapeadas e que podem ser vendidas por meio de bancos contratados.

"Não existe na carteira [do BNDES] nenhuma ação que seja estratégica", disse Eliane. Ela está no banco desde 2016, quando chegou para ocupar a diretoria da área de investimentos na gestão da ex-presidente Maria Silvia Bastos Marques. É hoje a "decana" da diretoria, mas deve deixar o cargo por decisão pessoal para dedicar-se a um período sabático.

Nos três anos em que conduziu a área de investimentos do BNDES, Eliane ajudou a formular uma política escrita para investir, acompanhar e desinvestir na carteira de ações. A política deixa claro que ter participação em ativos maduros não faz mais sentido para o BNDES. A questão é como se desafazer de uma carteira tão grande em ações sem provocar estragos nas cotações das empresas na bolsa. Um caminho para evitar esse problema é o que o banco vem trilhando, fazendo vendas por lotes, em bolsa, via corretoras, ao longo do tempo, como vem ocorrendo com Petrobras e Vale.  A venda para um sócio estratégico pode ser também um caminho para ativos em que o banco tem participação relevante. Um exemplo desse tipo de processo foi a operação Fibria - Suzano, na qual o banco embolsou mais de R$ 8 bilhões.



Fonte: Valor

Acordo Mercosul-UE terá proteção a produtos




A lista de produtos típicos europeus protegidos no Brasil saltará de sete para 357 após a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado na semana passada. Em contrapartida, o governo pediu que 61 bens exclusivamente brasileiros não possam ser replicados com o mesmo nome na Europa. O Itamaraty ainda não confirmou se todos entraram no texto final do tratado.

Além da redução de tarifas comerciais, o acordo traz um capítulo sobre propriedade intelectual que ampliará o rol de bens que deverão contar com proteção especial pelos governos dos dois blocos. A lista é composta principalmente por alimentos e bebidas com selos de “indicação geográfica”, que atestam que aquele produto só pode ser produzido com aquele nome em determinado local.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) – ligado ao Ministério da Economia – só reconhece hoje nove denominações de origem estrangeira, sendo sete europeias. Nenhuma empresa brasileira pode produzir e vender com esses nomes Vinhos Verdes e Vinhos do Porto (Portugal); Cognac, Champagne e queijo Roquefort (França); presuntos San Daniele e Vinhos de Franciacorta (Itália).

A partir da ratificação do acordo, outros 350 produtos também ganharão essa proteção no Mercosul, aumentando em muito as restrições a determinados setores da indústria, sobretudo para fabricantes de queijos, embutidos e bebidas.

Entre os itens destacados pela própria UE após a assinatura do acordo estão o presunto tirolês (Áustria), o queijo Herve (Bélgica), a cerveja de Munique (Alemanha), o queijo Comté (França), o presunto de parma (Itália), a vodca polonesa, o queijo São Jorge (Portugal), o vinho tokaji (Hungria) e o presunto jabugo (Espanha).

A lista de produtos brasileiros levados pelo Mercosul nas negociações é bem menos extensa. Atualmente, o INPI reconhece indicações geográficas de 61 produtos regionais, e todos foram colocados na mesa de debate com os europeus.

As cachaças de Paraty (RJ), Salinas (MG) e Abaíra (BA) encabeçam a lista. A relação de queijos não chega perto em quantidade das dezenas de laticínios protegidos dos europeus, mas inclui os queijos Canastra e Serro (MG), além do Colônia Witmarsum (PR).

As indicações geográficas brasileiras incluem tipos regionais de vinhos, arroz, mel, cacau, própolis, café, camarão, frutas diversas, carne, doces e biscoitos. Variedades de pedras, mármores, calçados, têxteis, artesanatos e até peixes ornamentais também constam na lista.

Há dois tipos de “indicação geográfica” reconhecidos pela maioria dos países. A “indicação de procedência” diz respeito à fama que determinado produto adquiriu por ser vinculado à região que o produz. É o caso das “Uvas do Vale do São Francisco”. Já o selo de “denominação de origem” requer processo mais apurado de validação científica, pois trata de produtos que têm características só encontradas nas regiões onde são produzidos. São os casos do “Própolis Vermelho dos Manguezais de Alagoas” e da “Pedra Carijó do Rio de Janeiro”. 



Fonte: Estadão