Walmart pagará US$ 282 milhões a autoridades dos EUA para encerrar acusação de corrupção




O Walmart concordou nesta quinta-feira (20) em pagar uma indenização de US$ 282 milhões de dólares (cerca de R$ 1,085 bilhão) para encerrar acusações da SEC, órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos, e do Departamento de Justiça dos EUA de que unidades da companhia no Brasil, Índia, México e China violaram o Ato de Corrupção Externa (FCPA, na sigla em inglês).

A empresa desembolsou US$ 144 milhões para fechar o caso com a SEC e US$ 138 milhões para encerrar acusações do Departamento de Justiça.

O Departamento de Justiça lançou uma investigação contra a varejista depois que reportagens do The New York Times realizadas em 2012 revelaram subornos que o Walmart teria pago no México para obter permissões para construir lojas no país.

As reportagens geraram uma investigação mais ampla do Departamento de Justiça sobre o comportamento de subsidiárias do Walmart ao redor do mundo, incluindo unidades no México, Brasil, Índia e China.

Irregularidades no Brasil

A irregularidade apurada no Brasil tem como base a construção de duas lojas em Brasília. A indenização paga pelo Walmart nos EUA envolvendo a unidade brasileira ficou em US$ 4,3 milhões.

Segundo documentos jurídicos, entre 2009 e 2010, o Walmart Brasil levou sua matriz a manter registros falsos, que foram incluídos nos balanços financeiros consolidados da companhia.

O Walmart Brasil registrou US$ 527 mil em pagamentos feitos para um intermediário com o objetivo de conseguir licenças para construção das lojas, mostraram os documentos da investigação.

A capacidade desse intermediário em obter licenças e permissões rapidamente, "resolvendo as coisas como mágica", deu a essa pessoa o apelido de "feiticeiro" e "gênio" dentro da unidade brasileira do Walmart.

Uma investigação separada da SEC também determinou que o Walmart violou a FCPA no Brasil.

"O Walmart valorizava o crescimento internacional e o corte de custos sobre o compliance", disse Charles Cain, chefe da divisão da SEC responsável por garantir o cumprimento da FCPA, ao anunciar a investigação e a multa.

Desde 2018, o Walmart Brasil é controlado pelo fundo de private equity Advent Internacional. O fundo tem 80% das operações no país, enquanto a varejista ficou com os 20% restantes.

"O acordo fechado nos Estados Unidos não se refere a atos praticados por nenhum dos atuais funcionários do Walmart Brasil, nem os membros da diretoria ou do conselho de administração, e não trará impactos para o negócio", informou a empresa em nota.



Fonte: G1

Preço de passagens aéreas explode com saída da Avianca, mostra Anac




Levantamento feito pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que a saída da Avianca do mercado provocou explosão no preço das passagens aéreas, porque reduziu a concorrência no setor. Uma situação que só será resolvida com a entrada de novas empresas no mercado, agora liberado competidores internacionais.

Os dados são inequívocos. De abril do ano passado a abril deste ano o preço médio das passagens aéreas no Brasil aumentou 30,9%. Já o preço médio nas rotas nas quais a Avianca deixou de operar o aumento médio foi de 39,9%.

Os números são ainda mais impressionantes quando se observa a alta no preços das passagens nas principais rotas de operação da Avianca. Na ponte aérea Congonhas-Santos Dumont o aumento foi de 72%. Entre Brasília e Galeão, no Rio, aumento de 141,6%. E entre Guarulhos e Salvador alta de 105,6%.

O levantamento da Anac mostra ainda que no período o querosene se aviação subiu 18% e o dólar 14%. Esses são os fatores mais pesam no custos das passagens aéreas.

Outro dado interessante: nas rotas nas quais a Avianca já não operava e que, portanto, o mercado não foi afetado pela saída da companhia, o aumento médio das passagens foi de 18%.







Fonte: G1

Delatores estão entre grandes credores da Odebrecht, depois dos bancos

O valor total de dívidas listadas na Justiça é de R$ 98,5 bilhões




Ex-executivos da Odebrecht que firmaram acordos de colaboração premiada na Operação Lava-Jato aparecem, depois dos bancos, entre os grandes credores do grupo, com débitos relacionados a planos de incentivo de curto e longo prazos (ICP e ILP). 

A Odebrecht levou ontem à 1ª Vara de Falências de São Paulo um pedido de recomeço. O valor total de dívidas listadas na Justiça é de R$ 98,5 bilhões, que pertencem à holding ODB e mais um conjunto de controladoras e controladas que somam 21 empresas. Trata-se da maior recuperação judicial, de longe, já realizada no Brasil. Do total, R$ 65,5 bilhões  podem ser cobrados do grupo. Outros R$ 33 bilhões são empréstimos feitos entre as companhias do grupo e que precisam ser listados ao juiz, mas não representam problemas. 

Apenas o patriarca Emilio Odebrecht tem R$ 69 milhões em garantias a receber, além de cerca de R$ 11 milhões relacionados a incentivos de curto prazo e outro crédito de R$ 1,4 milhão. Marcelo Odebrecht, que cumpre prisão domiciliar, tem R$ 16,2 milhões a receber do grupo do qual é controlador.

Hilberto Mascarenhas, que foi um dos chefes do "Setor de Operações Estruturadas", responsável pela gestão do pagamento de propinas dentro do grupo, tem R$ 24,6 milhões em incentivos de longo prazo a receber. Ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, que também estava no setor de propinas, Benedicto Barbosa, tem R$ 14,4 milhões a receber.

Ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho tem créditos que somam R$ 8,9 milhões. Também delator, o ex-executivo André Amaro da Silveira tem cerca de R$ 11 milhões a receber.

Até 2017 à frente da diretoria de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino de Alencar aparece na lista de credores com um crédito de R$ 2,5 milhões, também referentes a incentivos de longo prazo.

O ex-presidente da Braskem Carlos Fadigas tem quase R$ 6 milhões em incentivos de curto prazo que não foram pagos, além de cerca de R$ 13 milhões referentes ao plano de longo prazo.

Ex-superintendente da Odebrecht Infraestrutura para Minas Gerais e Espírito Santo, Sérgio Luiz Neves aparece na lista com um crédito de R$ 4 milhões.

Recuperação 

O pedido de recuperação judicial do Grupo Odebrecht foi aceito nesta terça-feira pela 1ª Vara de Falências de São Paulo.

Há meses, a Odebrecht tentava uma negociação privada com os bancos nacionais para uma recuperação extrajudicial, mas tornou-se alvo de execuções por parte da Caixa. Na semana passada, uma das cobranças, referente a R$ 632 milhões da construção da Arena Corinthians, chegou às últimas consequências com a citação da Odebrecht pela Justiça. O Bradesco  tentou, inclusive durante o fim de semana, organizar os bancos para uma saída negocial.

Na soma de vencimentos concursais e extraconcursais, Itaú, Bradesco, BNDES, Banco do Brasil, Caixa (com FI-FGTS) e Santander têm créditos de R$ 32,8 bilhões listados na recuperação judicial.

Fundado em 1944 pelo patriarca Norberto Odebrecht, o grupo Odebrecht enfrenta o fundo do poço, após as gestões de seu filho Emílio e do neto Marcelo. Sobreviver é agora o grande desafio da empresa, ante a proteção judicial multibilionária contra credores.

A Operação Lava-Jato, deflagrada em março de 2014, para investigar contratos de empreiteiras e outros fornecedores com a Petrobras, derrubou por terra os planos da empresa. Marcelo Odebrecht foi preso e, no fim de 2016, foi assinado um amplo acordo de leniência com as autoridades, envolvendo 78 pessoas da empresa. A crise deflagrada pela Lava-Jato, somada à retração da economia brasileira, levaram a Odebrecht a reestruturar ao longo dos últimos anos R$ 27 bilhões em dívidas de suas controladas.

somada à retração da economia brasileira, levaram a Odebrecht a reestruturar ao longo dos últimos anos R$ 27 bilhões em dívidas de suas controladas.




Fonte: Valor

Receita paga hoje as restituições do 1º lote do Imposto de Renda




A Receita Federal começa a pagar nesta segunda-feira, 17, as restituições do Imposto de Renda Pessoa Física 2019. Serão depositados R$ 5,1 bilhões nas contas de 2.573.186 contribuintes. Neste lote, receberão a restituição os 245.552 contribuintes idosos acima de 80 anos, 2.174.038 contribuintes entre 60 e 79 anos e 153.596 contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave.

Ao todo, serão desembolsados R$ 4,99 bilhões, do lote deste ano, a 2.551.099 contribuintes. A Receita também pagará R$ 109,6 milhões a 20.087 mil contribuintes que fizeram a declaração entre 2008 e 2018, mas estavam na malha fina.

As restituições terão correção de 1,54%, para o lote de 2019, a 109,82% para o lote de 2008. Em todos os casos, os índices têm como base a taxa Selic (juros básicos da economia) acumulada entre a data de entrega da declaração até este mês.

O dinheiro será depositado nas contas informadas na declaração. O contribuinte que não receber a restituição deverá ir a qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para os telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) para ter acesso ao pagamento.

A restituição ficará disponível durante um ano. Se o resgate não for feito no prazo, a solicitação deverá ser feita por meio do formulário eletrônico – pedido de pagamento de restituição, ou diretamente no e-CAC , no serviço extrato de processamento, na página da Receita na internet. Para quem não sabe usar os serviços no e-CAC, a Receita produziu um vídeo com instruções.



Fonte: Estadão

Liberação do FGTS à vista? A queda de braço pelos bilhões dos trabalhadores


Governo estuda liberar o saque de dinheiro dos trabalhadores em contas do fundo para estimular economia; mas a medida funciona?






No dia em que foi divulgada a retração de 0,2% da economia brasileira no primeiro trimestre de 2019, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo estuda liberar o saque de dinheiro dos trabalhadores no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS.

Também com a intenção de dar estímulo à economia, medida semelhante foi tomada no governo anterior: em dezembro de 2016, o então presidente Michel Temer anunciou liberação para saque de contas inativas, o que totalizou R$ 44 bilhões.

A discussão recorrente sobre o uso de recursos do fundo desperta não só o debate pontual sobre os reais efeitos desses saques "fora de época", mas também sobre o papel do FGTS, criado há mais de 50 anos, no contexto atual da economia brasileira.

Em 6 perguntas, a BBC News Brasil explica o que está em estudo pelo governo, quem é contra a liberação de recursos do fundo e como o FGTS funciona hoje:

1. Qual é o plano do governo?

O ministro Paulo Guedes declarou, no fim de maio, que o governo estuda liberar recursos do FGTS após a aprovação da reforma da Previdência, mas não deu detalhes sobre a medida.

A equipe do ministério trabalha com o cenário de uma liberação de pouco mais de R$ 20 bilhões. Ainda não está fechado, contudo, qual será o "desenho" - por exemplo, se a regra de liberação será para contas ativas (contratos em andamento), inativas (contratos que já terminaram), ou mesmo se terá algum tipo de limite.

Há inclusive quem defenda que a liberação poderia acontecer antes do fim da tramitação da reforma da Previdência no Congresso - que hoje está no início da tramitação na Câmara e também precisa de aprovação do Senado.

A avaliação da equipe de Guedes é que, no governo Temer, a medida foi bem sucedida. O atual governo também vê com bons olhos a distribuição de 50% do lucro do fundo no ano anterior para os trabalhadores com contas no FGTS, prevista em lei sancionada por Temer em 2017.

Procurada, a assessoria de imprensa do Ministério da Economia informou apenas que o saque de contas do FGTS "está em estudo".

2. Liberar recursos do fundo ajuda a economia?

A injeção de recursos na economia por meio da liberação de recursos do FGTS pode ajudar a economia, mas apenas no curto prazo, dizem especialistas. A economista Vivian Almeida, professora do Ibmec, diz que a liberação de novos saques do FGTS tem efeito limitado se for pensada de forma isolada.

"Se você liberar (o saque do FGTS) sem junção com outras reformas, isso vai ter um efeito limitado, com renda transitória, que vai responder àquele momento, com aquelas demandas pontuais e isso não vai se refletir em aumento de renda permanente das famílias", diz.

O economista Pedro Fernando Nery, consultor do Senado, também diz que se trata de uma medida de curto prazo. "O essencial é que a gente saiba que não existe pote de ouro ao fim do arco-íris em qualquer lugar. O caminho para o crescimento é mesmo o caminho das reformas."

Professora do Curso de Ciências Contábeis da UnB, Lorena Campos explica que a ideia por trás dessa medida é a de que, com mais verba disponível, as famílias ficariam propensas a um consumo maior, o que geraria estímulo à produção e, como consequência, haveria o aumento de empregos e salários.

Ela lembra, no entanto, que não é possível ter certeza do que cada família fará com o dinheiro. "Uma vez que há a disponibilidade desse recurso para as famílias, acredita-se que a 'renda extra' seja destinada para consumo, pagamento de dívidas e investimento", diz.

Em 2017, durante o governo Temer, 25,9 milhões de trabalhadores fizeram o saque de cerca de R$ 44 bilhões de contas inativas do FGTS.

Vivian Almeida aponta que a medida "foi responsável por um dinamismo maior no ano de 2017", mas que a experiência mostra que, com medidas muito pontuais, "os efeitos tendem a se dissipar muito rapidamente".

3. Quem é contra liberar o saque de contas do FGTS?

A principal voz contra a liberação de saques, que diminui a verba do FGTS, é o setor da construção civil, já que os recursos do fundo são usados para financiar programas de habitação - como o Minha Casa, Minha Vida -, além de saneamento e infraestrutura, com juros menores do que as taxas de mercado.

"O FGTS é uma fonte barata de crédito para quem pega os recursos emprestados. Em tese, isso deveria favorecer políticas de habitação e saneamento. Na prática, é como se o trabalhador financiasse empreiteiras", diz Nery.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, transmite a posição do setor a respeito de uma nova liberação de saques: "Nós não concordamos e não é por corporativismo. Entendemos que foi uma medida que já na vez passada não foi boa."

Martins argumenta que os recursos do FGTS estão, na verdade, concentrados em poucas contas e, por isso, a medida não é eficiente para estimular o consumo da população. "Você pega um monte de dinheiro que está em poucas contas e aí não vai pro consumo, mas sim para a aplicação financeira. O que acontece é que não surte o efeito desejado, como não surtiu."

Segundo a CBIC, 45% do saldo das contas inativas do FGTS está concentrado em apenas 2% das contas, que têm valores acima de um salário mínimo. Os outros 98% das contas inativas têm até um salário mínimo cada. "O governo sempre acaba atacando o fundo de garantia", reclama Martins, para quem "o grande problema do FGTS é ser bem administrado".

Nery também aponta que também interessa à Caixa, por ser o agente operador do FGTS, que não haja uma grande diminuição nos recursos do fundo. "Como está, quem defende mesmo é o setor da construção civil e a Caixa, que tem o monopólio da administração dos recursos e cobra taxas altas para fazer isso. São centenas de milhões de contas."

Como agente operador do FGTS, a Caixa recebe taxa de administração de 1% do total do ativo do fundo no ano. É responsável por controlar as contas ativas e inativas, os saques, gerir aplicações financeiras, entre outros. Em 2017, o banco recebeu mais de R$ 4,9 bilhões para desempenhar essa função.

Por meio da assessoria de imprensa, a Caixa informou que "cumpre as determinações contidas na legislação, conforme o que lhe compete no papel de Agente Operador do FGTS", após questionamento sobre se o banco é favorável à liberação de novos saques de contas do fundo.

4. Por que o FGTS foi criado e como funciona hoje?

O FGTS foi criado em 1966, durante a ditadura militar, e hoje está previsto como um direito dos trabalhadores na Constituição Federal. O fundo foi criado como alternativa à chamada estabilidade decenal, que previa que o empregado com mais de 10 anos de serviço na mesma empresa não poderia ser despedido se não fosse por "falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas".

A ideia era compensar a mudança nas regras que acabaram com essa estabilidade com uma proteção financeira ao trabalhador, criando essa poupança forçada para momentos de necessidade.

Com a criação do FGTS, as empresas passaram a pagar, mensalmente, o equivalente a 8% do valor do salário do trabalhador para a conta dele no fundo. A ideia é criar uma reserva para momentos de necessidade (leia na pergunta 5 as situações em que o trabalhador pode sacar seus recursos).

A quantidade de contas supera 780 milhões e o total de ativos do FGTS somava R$ 496,85 bilhões no fim de 2017, segundo o relatório mais recente. De acordo com a Caixa, 84% das contas com saldo têm um valor de até um salário mínimo (R$ 998). O trabalhador tem uma conta para cada emprego formal que tem ou teve.

Como os recursos dos trabalhadores depositados no fundo são usados para financiar a juros baixos obras de habitação, saneamento e infraestrutura, o retorno também é menor que o de outras aplicações. O rendimento é de 3% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), calculada pelo Banco Central.

Além de ser operado pela Caixa, o fundo é administrado por um conselho tripartite - ou seja, composto ​por representantes dos trabalhadores, dos empregadores e representantes do governo federal.

5. Quando o trabalhador pode sacar o FGTS, segundo as regras atuais?

Os momentos mais conhecidos de saque do FGTS são a aposentadoria - quando o trabalhador pode tirar toda a verba que tem no fundo - e a demissão sem justa causa. Neste caso, o trabalhador recebe o valor que foi depositado por aquele empregador, com os rendimentos e uma multa de 40% sobre esse valor.

A reforma trabalhista sanciona por Michel Temer também criou a possibilidade de rescisão por acordo entre o trabalhador e a empresa. Nesse caso, ele tem direito de sacar 80% do saldo da conta do FGTS e a multa do empregador é de 20% sobre esse valor.

Outras situações em que é permitido o saque são: para compra de imóvel; quando o trabalhador fica afastado do regime do FGTS por três anos consecutivos; além de casos em que o trabalhador ou dependentes forem portadores do vírus HIV, de câncer ou quando estiverem em estágio terminal devido a uma doença grave.

6. As regras do FGTS podem mudar?

Pelo menos 165 projetos de lei propõem mudanças na Lei nº 8.036, de 1990, que traz as regras para o FGTS, segundo levantamento feito por Nery. A maioria deles propõe permissão para que os trabalhadores usem os recursos do FGTS em outras situações.

Entre as propostas, estão a execução de projeto de acessibilidade em imóvel próprio; custeio de despesas com educação e qualificação profissional; pagamento de cirurgias essenciais à saúde; casos de adoção ou nascimento de filho e mãe trabalhadora responsável pelo sustento da família.

Também estão entre as propostas levantadas o pagamento de dívidas inscritas em cadastros de inadimplentes; utilização na geração de energia elétrica com base em fontes renováveis; custeio de tratamento para infertilidade; mulher trabalhadora que estiver em situação de violência doméstica, entre outros.

Para que qualquer mudança entre vigor, precisa ser aprovada pelo Congresso e, depois, sancionada pelo presidente.

Além da possibilidade de mudanças mais pontuais, tem aumentado a discussão sobre a estrutura do FGTS. A equipe econômica do governo, inclusive, avalia a função do fundo para eventualmente propor mudanças -- e o atual governo, em geral, defende o discurso de que as pessoas devem ter mais liberdade para administrar o próprio dinheiro.

Pedro Nery diz que o FGTS "foi perdendo importância" como mecanismo de proteção nos últimos anos e que, quando foi criado, ainda não havia o seguro-desemprego. Ele diz que a baixa remuneração do fundo "gera uma série de problemas, como as tentativas de sacar os recursos antes que se desvalorizem (alta rotatividade)".

Para Vivian Almeida, uma eventual mudança significativa no modelo do FGTS é uma alteração na "lógica" do que o trabalhador brasileiro conhece. "A poupança mudar de mão é uma mudança de paradigma, porque é uma população acostumada a ter uma poupança forçada e de repente ela gerencia esse dinheiro", diz. "A gente pode ter impacto que não necessariamente dá para prever, porque estamos falando de um perfil que ainda não é o do trabalhador brasileiro."


Fonte: BBC 

Aumento em planos de saúde chegou a 382% em 18 anos


De acordo com o levantamento do Ipea, mais de 3 milhões de pessoas deixaram de ter planos de assistência médica em função do aumento do desemprego e da queda de renda nos últimos quatro anos.





Os reajustes dos planos de saúde individuais chegaram a 382% entre 2000 e 2018, mais do que o dobro da inflação no setor de saúde no mesmo período (108%). As taxas foram divulgadas em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o levantamento, mais de 3 milhões de pessoas deixaram de ter planos de assistência médica em função do aumento do desemprego e da queda de renda nos últimos quatro anos. 

Os pesquisadores fizeram críticas ao modelo de cálculo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que, segundo conclusão, falhou na tentativa de regulação do serviço. A metodologia analisada teve início em 2001. "É preciso que a sociedade discuta o assunto, a fim de assegurar que os brasileiros não sejam prejudicados, principalmente porque a maioria do mercado continua desprotegida", diz o pesquisador Carlos Ocké, coautor do estudo.

A análise aponta que a metodologia de cálculo do reajuste dos planos individuais era "cercada de controvérsias". "Imaginou-se que os consumidores dos planos coletivos teriam capacidade de barganha para negociar os contratos com as operadoras e as administradoras de benefícios, mas, na prática, não foi isso que aconteceu. Observou-se, ao contrário, um aumento sistemático dos preços dos planos coletivos, os quais, por sua vez, embora não regulados, serviam de referência para o núcleo da política de reajuste de preços dos planos individual e familiar da ANS", conclui o estudo do Ipea. 

Para a melhoria do sistema de cálculo, os pesquisadores propõem estudos para a criação de outro índice de preços para todas as modalidades de planos de saúde. A proposta é que o novo índice tome como base a produção dos serviços médico-hospitalares, para servir de parâmetro, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do setor da saúde como referência para a política de reajuste.

A ANS alterou a metodologia de cálculo em 2018 - válido para este ano. O novo Índice de Reajuste dos Planos Individuais (IRPI) se baseia na variação das despesas médicas das operadoras nos planos individuais e na inflação geral da economia.

Reação

A ANS considera tecnicamente inadequadas as comparações feitas entre o índice de reajuste dos planos de saúde individuais e índices de preços ao consumidor, sejam eles gerais, como o IPCA, ou específicos.

Cabe destacar ainda que a nova metodologia de cálculo do índice anual de reajuste dos planos individuais, proposta pela ANS e vigente desde dezembro de 2018, já contempla, segundo o órgão, aspectos abordados pelos autores do estudo do Ipea.

A ANS reitera, por fim, que ouviu e debateu com todos os setores da sociedade as mudanças que resultaram no aperfeiçoamento da metodologia. 



Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo