Os
rumos da economia brasileira em 2015 preocupam os economistas. A constatação é
reforçada pela queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas
de intenção de voto. As questões que mais preocupam os especialistas são a
pouca qualificação da mão de obra, a dependência na agricultura e na exportação
de commodities e os investimentos equivocados. Em um ano de transição política,
quem assumir a presidência enfrentará um quadro complicado, uma vez que estados
e municípios precisam se fortalecer economicamente para que as mudanças
macroeconômicas possam sair das promessas dos discursos. O professor da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Vidal Barbosa, acredita
que, em 2015, “a economia não vai crescer e o novo governo vai precisar se
adaptar às novas tendências, problemas estruturais, mão de obra pouco
qualificada e à inflação”. Francisco explica que o primeiro ano de governo é o
mais adequado para implementar mudanças, que receberão manutenção dos anos
subsequentes. Contudo, para o economista, isso não deve acontecer no Brasil. Ou
seja, as mudanças econômicas podem demorar a acontecer. “O Brasil precisa colocar
a economia em ordem. Não fizemos reforma nenhuma, não existe vontade de mudar.
O Brasil depende muito da agricultura, a nossa indústria é pouco competitiva”,
enfatiza Francisco. Para ele, “enquanto o Brasil não investir massivamente na
educação, não vejo um caminho. Basta pegar o exemplo dos asiáticos, dos
alemães. Os seus países são potências mundiais e chegaram lá investindo em
educação. É assim que um país consegue mão de obra qualificada. É preciso
investir na qualidade e não na quantidade. Basta o Brasil ser capaz de imitar
quem está fazendo bem feito”, defende o economista. Francisco acredita que “a
questão dos impostos e da carga tributária é a mesma há 10, 20 anos”. Para ele,
a baixa produtividade e o pouco investimento em tecnologia são pontos fracos na
economia brasileira e precisam ser corrigidos para que o crescimento avance. “O
novo governo vai tentar controlar a economia, mas pode esbarrar em medidas que
reduzam o crescimento. Mas é preciso vontade política porque a mudança dói”,
opina. Eduardo Campos, Dilma Rousseff e Aécio Neves são os principais
candidatos à presidência da República Eduardo Campos, Dilma Rousseff e Aécio
Neves são os principais candidatos à presidência da República. Para o professor
e economista da UFGM, Aureliano Bressan, “diversos indicadores apontam para um
2015 muito desafiador para o próximo presidente, independente de seu espectro
ideológico”. Segundo ele, entre esses indicadores “se destacam a tendência de
redução do crescimento econômico e de elevação da inflação (esta, pressionada
pelos preços defasados da gasolina e da energia elétrica)”. Aureliano diz que
“como agravante, cabe destacar ainda cenário externo não muito animador, com
possibilidade de redução do ritmo de crescimento da economia chinesa, o que comprometerá
a demanda pelos principais produtos da nossa pauta de exportação - minério e
produtos do complexo soja - além do fortalecimento da tendência de redução do
programa de estímulos do FED para a economia dos EUA”. O economista finaliza
dizendo que “aliado a estes fatos, problemas estruturais da nossa economia,
tais como a baixa taxa de poupança em relação ao PIB, um sistema complexo e
oneroso de tributação à indústria e ao consumo, além da elevação dívida pública
bruta e da ausência de regras claras e estáveis para atração de investimentos
estrangeiros diretos colocam a necessidade de uma revisão das diretrizes de
política econômica, de modo a retomarmos uma trajetória de crescimento
sustentado”.
Fonte: JB
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