Ajuste fiscal ficou no meio do caminho.

Se o Brasil estancou, a farra nas contas públicas, não conseguiu dar passos importantes para consolidar os ganhos trazidos pelo ajuste fiscal, por ter abandonado reformas importantes, como a da Previdência, que continua a minar as finanças do Tesouro, com rombos anuais próximos de R$ 50 bilhões. Para os especialistas, em vez dos pleitos com o intuito de ampliar a gastança e o endividamento, os governos deveriam aproveitar o momento de crise, de baixo crescimento, para pregar uma revolução no setor público, com gestão eficiente e maior foco nas despesas. O Brasil, acreditam eles, ficou no meio do caminho, mesmo tendo incluído, ao longo dos últimos dez anos, mais de 40 milhões de pessoas no mercado de consumo.  Essa inclusão social só foi possível graças ao controle da inflação. Depois de uma lista de programas de estabilização econômica fracassados, o País entendeu que só se livraria dos males da corrosão do poder de compra se consertasse o descalabro nas contas públicas. O processo de ajuste foi longo e obrigou o governo federal a assumir dívidas regionais, a criar impedimentos para que prefeitos e governadores emitissem títulos públicos e passou pela criação de uma moeda forte. O Plano Real, em 1994, desnudou os rombos e tirou do armário esqueletos que ainda hoje assombram governos. Os anos seguintes à estabilização da moeda impuseram um motivo a mais para a necessidade de solidez das contas: as crises financeiras globais do México, em 1995; da Ásia, em 1997; e da Rússia, em 1998. Para especialistas, a raiz dos problemas fiscais se explicava pela fraca tradição de planejamento e deficiências na elaboração do Orçamento. A lógica econômica criava uma estrutura administrativa complexa. Dados do Tesouro mostram que os gastos eram elevados, sobretudo com o funcionalismo. Os desembolsos cresciam sem uma previsão adequada de aumento de receitas. Os entes da Federação dispunham de independência maior do que a de agora e isso dificultava o controle pela União. “Ninguém tinha ideia do tamanho do problema fiscal e das influência dele sobre a estabilização da economia. Só perceberam isso quando os planos econômicos do governo José Sarney (1995-1990) fizeram água e a inflação disparou de vez”, relembra Pedro Paulo Silveira, diretor da Vetorial Asset. O processo de ajuste começou com a criação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), em 1986, quando o Estado passou a separar o orçamento fiscal, e terminou com a formulação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em 2000. “A lei foi uma tentativa, em tese bem-sucedida, de não repetir os mesmos erros do passado”, diz o pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) José Roberto Afonso, um dos idealizadores da LRF. “Se estamos discutindo isso hoje, é porque precisamos reforçar a lei”, emenda.



Fonte: JC

CRÔNICA ANUNCIADA - Receita extra para fechar conta.

Nos sete meses do ano, setor público cumpriu só 29% da meta original de superávit, de 3,1% do PIB. A alternativa do governo para o restante de 2013 será incluir na contabilidade oficial recursos extraordinários para elevar o resultado.

A política fiscal vive uma crônica anunciada: economistas passaram o ano advertindo para o risco de o governo não estar poupando o suficiente para cumprir a meta de superávit primário (a economia de recursos que forma um colchão financeiro para o pagamento dos juros da dívida pública). As projeções negativas vingaram. Nos sete primeiros meses do ano, o setor público cumpriu parcos 29% da meta original, de 3,1% do PIB. Se quiser fechar a conta nos meses que restam, a alternativa será recorrer a alguns "anabolizantes" para bombar o resultado. Tomando como base estratégias anteriores adotadas pelo governo para cumprir a meta, o economista Felipe Salto, da Tendências Consultorias, estima que há alguns bons bilhões de reais que podem ser incluídos na contabilidade do primário para empurrar o resultado para cima. A parcela mais visível vem de receitas extraordinárias com as concessões públicas. O governo previu que arrecadaria R$ 20 bilhões no ano com as concessões e ainda há quase R$ 17 bilhões para entrar no caixa. A parcela mais graúda é a contabilização dos R$ 15 bilhões do leilão do campo de petróleo de Libra, que entra na conta em novembro. "É uma receita atípica, mas vai ter um efeito positivo no resultado", diz Salto. Outra fonte promissora é o Refis, o programa de parcelamento de dívidas junto ao governo federal. Com a adesão dos bancos, estima-se que a receita ficará na casa de R$ 12 bilhões, que poderão ser somados à conta do primário. O governo também poderá incluir de R$ 8 bilhões a R$ 11 bilhões de dividendos que tem a receber, principalmente da Petrobras, do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Existe ainda a possibilidade de o governo adotar medidas concretas para controlar alguns gastos que teriam efeito positivo no primário. "Com um pequeno esforço, acredito que o governo tem condições de economizar, de fato, cerca de R$ 9 bilhões", diz Salto. Para salvar o resultado, o governo ainda tem a possibilidade legal de abater da meta um total de R$ 65 bilhões, referentes basicamente a investimentos feitos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e uma parcela das desonerações. "O abatimento do valor integral ajudaria cobrir a parte de estados e municípios, que, já se sabe, não vão conseguir cumprir a meta", afirma o economista da Tendências. De acordo com Salto, essa engenharia financeira poderia reunir os R$ 156 bilhões previstos, criando a ilusão de que se cumpriu a meta. "Na prática, porém, apenas cerca de R$ 54 bilhões – um terço do total – seria resultado de um real esforço fiscal", diz o economista.
Artificialismo
Como o governo não demonstra que vai admitir não ter cumprido a meta pelos trâmites convencionais, a expectativa é que recorra aos recursos extraordinários. "É plausível que o governo faça algo assim, mas não há vantagem nisso porque pelo aspecto fiscal, é tudo artificial: não está obtendo o resultado pelos fluxos normais da atividade econômica", diz economista Amir Khair, especialista em finanças públicas. Para Khair, se o governo quiser de fato cumprir a meta do primário a partir de 2014, deve se concentrar em promover crescimento. "É assim que se garante uma arrecadação forte que favorece a realização do superávit primário", diz. "Mas o governo também deve parar de fixar meta para estados e municípios, porque, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, essa tarefa não lhe cabe." Para o economista Fabio Giambiagi, também especialista em finanças públicas, apesar de a arrecadação ter sido um problema em 2013, o maior entrave foi gestão dos recursos. "O grande vilão é o gasto", diz. Até setembro, a despesa corrente cresceu 8 % em termos reais, com incremento real de 2 % das despesas com pessoal, de 6 % do INSS e de 10% nas chamadas "outras despesas de custeio e capital". Nesse item, os destaques foram os 11 % de aumento real da despesa com seguro-desemprego e os R$ 4 bilhões pagos pelas térmicas. "O governo deveria ser mais rigoroso na execução do gasto, mas realisticamente creio que não vai acontecer", diz Giambiagi. 


Fonte: JC

Brasil é 5º país em desenvolvimento mais vulnerável à crise, diz estudo.

Brasil só é menos vulnerável que Colômbia, Argentina, Indonésia e Turquia. Para analista, estudo é 'cruel' e não há risco de crise financeira no país.

Estudo do Wells Fargo Securities divulgado recentemente aponta o Brasil como o quinto país em desenvolvimento, entre 28 economias pesquisadas, mais vulnerável a uma crise financeira, sendo "ultrapassado" neste ranking somente pela Colômbia, Argentina, Indonésia e Turquia. O Wells Fargo criou um "sistema de aviso prévio" sobre possíveis crises financeiras, que leva em consideração, segundo a instituição financeira, pesquisas conduzidas nas últimas duas décadas por diferentes pesquisadores. Pelo sistema, cinco variáveis econômicas estão associadas com crises financeiras: o nível de reservas internacionais na sua comparação com o Produto Interno Bruto (PIB) nominal; a valorização da taxa real de câmbio; o crescimento do crédito ao setor privado em sua porcentegem do PIB; o avanço do PIB propriamente dito; e o nível do déficit em transações correntes (contas externas). "Países que têm baixo nível de reservas internacionais, taxa de câmbio apreciada, crescimento rápido do crédito e do PIB, além de déficits em conta corrente, tendem a ter maior probabilidade de crises financeiras", avaliou o Wells Fargo no estudo.
Brasil
Segundo o estudo, o Brasil é vulnerável por ter registrado, nos últimos anos, crescimento rápido do crédito ao setor privado, o que, segundo o Wells Fargo, geralmente vem acompanhado de relaxamento dos parâmetros prudenciais de empréstimos, além de ter apurado valorização da taxa de câmbio - que leva ao aumento do déficit das contas externas - também registrado no Brasil (que tende a ser financiado por ingresso de capitais).
Crises são evitáveis
"As crises, entretanto, não são necessariamente inevitáveis nos países pesquisados [10 primeiros colocados, entre eles o Brasil]. O país pode parecer 'maduro' [pronto] para uma crise, mas pode eventualmente ser capaz de evitá-la. Os mecanismos de auto correção de uma economia podem funcionar, ou as autoridades podem tomar medidas para corrigir os desequilíbrios econômicos antes que uma crise financeira se instale", avaliou o Wells Fargo em seu relatório.
Entretanto, o documento também pondera que, caso algum evento econômico gere aversão maior ao risco na economia global, os países que aparecem como sendo mais vulneráveis no ranking estariam em "perigo maior" do que as economias que estão mais estáveis econômica e financeiramente.
Avaliação de economistas
Segundo Gilberto Braga, economista do Ibmec, a avaliação do Wells Fargo precisa ser respeitada, pois não está "necessariamente errada", mas ponderou que os modelos econômicos utilizados são apenas uma "ferramenta de análise". "Não estamos tão ruins como eles estão observando. Nosso nível de reservas [cambiais, acima de US$ 370 bilhões] é bastante positivo. Temos estabilidade interna e política. Embora pouco façamos em termos de marco regulatório, temos um país em paz, sem guerra, sem ditadura e sem governo militar. Uma democracia, que ainda aos trancos e barrancos funcione, é um diferencial da economia brasileira", avaliou o economista do Ibmec. Para Celso Grisi, presidente do Instituto Fractal de Análises de Mercado, essa avaliação da Wells Fargo é "um pouco cruel". "Tivemos expansão do crédito e comprometimento da renda elevados, assim como o consumo das famílias, o que produziu inflação. Mas isso se reduziu com a alta da Selic [juros básicos] e com o ritmo menor de crescimento da economia. Os bancos estão fazendo uma política mais seletiva de crédito. Não há nenhum risco de crise financeira", declarou ele. De acordo com o economista, o passivo externo brasileiro, por sua vez, também é "saudável". "Grandes corportações buscam recursos lá fora e temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais, suficientes para enfrentar oscilações do dólar. Se houver redução de estímulos nos Estados Unidos em 2014, será gradual. Os riscos de ruptura sao cada vez menos presentes", disse Grisi. Ele admitiu, porém, que o risco de rebaixamento da nota brasileira, pelas agências de classificação de risco, é "muito provável" no futuro por conta da política fiscal (gastos públicos). O economista do Instituto Fractal recomendou que o governo "pense em em elementos que tornariam ambiente de negócios mais atraente no Brasil".



Fonte:G1

Os caminhos opostos de Brasil e China na economia.

A centralização e a dispersão das atividades nos dois países.

Ao adotar o “capitalismo de estado” a China mostrou ao mundo seu poder econômico e agora, com as reformas que o país pretende implantar, parte para outra fase, tendo como foco a descentralização das atividades. Enquanto os chineses buscam renovar seu modelo de desenvolvimento, no Brasil, pelo contrário, a centralização e controle do estado não dão sinais de recuo. Nesta quinta-feira (12/11), o governo federal editou a Medida Provisória 627, com 100 artigos, contendo mudanças na tributação das empresas. “É quase uma reforma tributária”, ironiza o consultor e ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, que ainda não teve tempo de ler atentamente a MP. “A MP tem mais de 100 artigos, quase a mesma quantidade de incisos e parágrafos e abrange centenas de medidas”, ressalta Everardo sobre o tamanho do conjunto das novas regras tributárias. O excesso de regras do Sistema Tributário Brasileiro, de acordo com profissionais da área contábil, é uma das formas de controle exercida indiretamente pelo governo que exige das empresas um esforço excessivo com relação ao fisco. Para Hélio Donin Júnior, diretor do Sindicato das Empresas Contábeis do Rio de Janeiro (Sescon-RJ), o Custo Brasil está enraizado no dia a dia das empresas e no caso do sistema tributário, esse custo não se restringe aos impostos, mas muitas vezes com infraestrutura, contratação de pessoas e consultorias para pagar os impostos. “As médias e pequenas empresas são as que mais sofrem porque não tem condições de manter toda essa infraestrutura”, afirma Donin. O diretor do Sescon-RJ afirma que a preocupação com a possibilidade de se cometer erros com o complexo processo da contabilidade empresarial está levando vários profissionais da área a fazer seguro  contra essa possibilidade. “Houve um aumento da procura por seguro de responsabilidade contábil profissional por conta do risco que os profissionais do setor ficam expostos diante dessa complexidade”, afirma Donin ressaltando que essa situação não é compatível com o desenvolvimento que se quer para o país. De acordo com Sérgio Approbato, da Approbato e Fischer Contabilistas Associados e presidente do Sescon-SP, o excesso de burocracia na área tributária penaliza o empresário, aumenta o custo de produção e afasta novos investimentos. Segundo ele, desde a promulgação da Constituição, em 1988, até hoje foram editadas 270 mil normas tributárias e, desse total, estão hoje em vigor 22 mil regras para a área. “São muitas mudanças e muitas empresas não conseguem acompanhar esse volume de mudanças”, afirma Sérgio. Segundo ele, há um paradoxo nas decisões do governo que, por um lado implantou o Sistema Público de Escrituração Digital (Sisped), um sistema informatizado bastante eficiente, e por outro peca por manter uma legislação com excesso de regras que acaba onerando o empresariado e colaborando para o Custo Brasil. Sérgio Approbato ressalta, por exemplo, que a emissão de notas fiscais muitas é feita com erros por falta de informação e controle correto das empresas sobre essa atividade. “Esses erros não beneficam ninguém. É prejudicial tanto para as empresas que são penalizadas quanto para o governo que deixa de arrecadar”, afirma Sérgio. Ele cita como exemplo a criação da multa, no mês passado, por envio de arquivos com erro na prestação de contas do Pis/Cofins que chega a 3% sobre o movimento da empresa. Approbato destaca ainda que toda essa complexidade significa ainda um maior controle do governo sobre a atividade econômica interferindo de forma prejudicial no setor produtivo brasileiro.



Fonte: Jornal do Brasil

MP 627 muda pagamento de IR por quem investe fora.

Com a nova determinação, pessoas físicas com investimentos em paraísos fiscais passarão a pagar imposto no final de cada ano, independentemente da disponibilização do lucro.

A Medida Provisória 627, publicada na terça-feira pelo governo, traz importante mudança para a tributação das pessoas físicas com investimentos no exterior feitos em paraísos fiscais. Com a nova determinação, as pessoas físicas passarão a pagar Imposto de Renda (IR) no final de cada ano, independentemente da disponibilização do lucro. "A medida afeta cerca de 90% das pessoas físicas com investimentos fora do Brasil", afirma a sócia da área de tributário do Tozzini Freire Advogados, Ana Cláudia Utumi. "Se com a MP a Receita Federal perde com as empresas, quer ganhar com as pessoas físicas", diz ela, se referindo ao parcelamento em até cinco anos para o pagamento de IR e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrentes dos lucros auferidos no exterior por controladas de companhias brasileiras no exterior, previsto na medida. Ana Cláudia explica que a maior parte das pessoas físicas faz investimentos por meio de companhias constituídas em paraísos fiscais: "Isso porque é mais fácil o processo de abertura de empresas e também porque não há cobrança de imposto nesses países, apenas no Brasil, o que facilita muito todo o processo." A advogada lembra que atualmente as pessoas físicas com investimentos no exterior pagam IR no momento em que o investimento é disponibilizado e há chances de a nova determinação, que prevê o pagamento na data do balanço dessas empresas, ser questionada, já que a tributação sempre foi feita pelo regime de caixa. O Supremo Tribunal Federal (STF) já julgou a questão da taxação de investimentos feitos em paraísos fiscais, mas quando realizado por pessoas jurídicas. "O Supremo entendeu que nesses casos a tributação pode ser automática, mas é possível agora se iniciar esta nova discussão para as pessoas físicas, porque sua tributação sempre foi pautada pela disponibilidade do recurso", diz a sócia do Tozzini Freire. A MP 627 fixa novas normas de tributação de lucros e dividendos de controladas e coligadas de empresas brasileiras no exterior, também revoga o Regime Tributário de Transição (RTT) e altera itens da legislação do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, entre outros temas.



Fonte: JC

Os rumos da economia brasileira e os seus desacertos.

Os destinos do Brasil e da Petrobras caminham em paralelo.

Há uma séria preocupação, no mercado, com os rumos da economia  brasileira, a médio prazo, face aos desacertos que o Governo vem cometendo nos últimos dez anos. São muitos os sinais evidentes desses desacertos, que se refletem, hoje, no acentuado desequilíbrio fiscal e constante crescimento da dívida pública, caminhando na direção de 60% do PIB. Fazem parte desse quadro negativo, os equívocos da política energética praticados contra duas das maiores empresas do Brasil, a Petrobras e a Eletrobrás, desestabilizando-as  financeiramente, com enormes prejuízos para a grande massa de seus acionistas minoritários. Acrescenta-se a isso, a precária situação do sistema portuário e rodoferroviário, responsável por importante parcela dos custos do setor produtivo, agrícola e industrial. Não se pode dizer que o país esteja à beira da falência, como vários países europeus, inclusive a França, que acaba de ser rebaixada pelas agências de classificação de risco. Mas é evidente que o Brasil não está a salvo de um possível rebaixamento, como já tem sido anunciado e pode ser visto pela evolução do “Risco Brasil”, que já subiu do índice 135, em janeiro deste ano para mais de 230 no segundo semestre, até novembro. É possível afirmar que os destinos do Brasil e da Petrobras caminham em paralelo. Assim, é importante acompanhar de perto a trajetória da nossa grande empresa petroleira, para antecipar o que pode acontecer à economia brasileira, neste e nos próximos anos.


Fonte: Jornal do Brasil

Após ‘apagão eletrônico’, Justiça do Trabalho passará a receber petições em PDF.

Segundo coordenador do sistema online, medida diminuirá carga sobre a plataforma, que apresenta instabilidade.

Em meio a problemas de instabilidade, o sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe), da Justiça do Trabalho, passará a receber também petições em PDF para tentar desafogar a plataforma. Atualmente, os arquivos só podem ser gerados no editor de texto online do sistema, o que aumenta os transtornos causados pela instabilidade. A decisão foi tomada pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) a pedido da Organização dos Advogados do Brasil (OAB). Na semana passada, reportagem do GLOBO revelou que as falhas na plataforma fizeram com que cerca de 130 mil processos trabalhistas no Rio ficassem praticamente paralisados. A medida não atende as exigências da OAB do Rio de Janeiro, que cobra da Justiça do Trabalho a volta das petições em papel, enquanto o sistema eletrônico continua instável. A entidade convocou para esta quarta-feira um protesto contra o “apagão digital”. O peticionamento por PDF será adotado 15 dias após a publicação da resolução, à qual o GLOBO teve acesso. O texto deve ser publicado no Diário Oficial da União até quinta-feira. Segundo o juiz José Hortêncio Ribeiro Júnior, coordenador do PJE, apesar de não eliminar completamente a dependência do sistema, a novidade vai ajudar a diminuir o volume de tráfego na plataforma. - Tem um ganho na estabilidade. Hoje, se o advogado fica 4 horas pra fazer um recurso, vai ficar 4 horas conectado ao sistema, o que não ocorrerá com o envio do PDF - explicou o juiz, lembrando que os arquivos terão limite de 1,5 megabytes (MB). De acordo com ele, a medida não é uma ação emergencial e deve ser incorporada ao sistema de forma permanente. O juiz garante que os arquivos enviados por PDF terão o mesmo tratamento dos textos gerados no editor online do PJE. Sobre a exigência de admissão de petições de papel, Oliveira Júnior alega que a alternativa já é facultada aos advogados, porém, para isso, o ato deve ser considerado “urgente”, quando há risco de perecimento do processo ou violação iminente, por exemplo.



Fonte: O Globo

De volta aos dois dígitos.

Economistas de instituições financeiras e de empresas de consultoria sondados pelo Banco Central reforçam a previsão de que na reunião deste mês, a última do ano, Copom elevará a taxa básica de juros da economia (Selic) para 10% ao ano.

O mercado financeiro sacramentou a expectativa de que a festejada taxa de juros anual de apenas um dígito se despedirá dos brasileiros este mês, retornando à casa dos dois dígitos. Os economistas consultados pelo Banco Central (BC) para a pesquisa Focus, divulgada ontem, reforçaram a previsão de que, em sua última reunião do ano, nos dias 26 e 27 deste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevará a taxa básica de juros da economia (Selic) para 10% ao ano. Em janeiro haveria nova alta, para 10,25%. A Selic está hoje em 9,5% ao ano, após cinco aumentos sucessivos, destinados a combater a inflação crescente, alimentada, entre outros fatores, pelo encarecimento do dólar. O atual ciclo de aperto monetário ainda está longe de ser revertido. Os analistas ainda esperam mais aumentos no começo de 2014, com a taxa Selic chegando a 11% ao ano até abril – até a semana passada a previsão era de 10,75%. No mercado financeiro as taxas subiram nas últimas semanas e já estão acima de 12% ao ano. Em abril, a Selic se situava em 7,25%, o menor nível da história do País. A projeção para Selic média em 2013 segue em 8,38% ao ano, contra 8,34% há quatro semanas. Para 2014, a taxa média também segue em 10,25% ao ano. Há quatro semanas estava em 9,75% ao ano. Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5, a previsão para a Selic no fim de 2013 no cenário de médio prazo segue em 10% ao ano há dez semanas. Para 2014, subiu de 10,75% para 11% ao ano. Há quatro semanas estava em 10,5% ao ano. Inflação A projeção de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2013 segue em 5,85%, de acordo com a pesquisa do BC. Há quatro semanas, a estimativa estava em 5,81%. Para 2014, a previsão de 5,92% para 5,93%. Há quatro semanas, estava em 5,95%. A expectativa de inflação para os próximos 12 meses caiu de 6,21% para 6,18%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 6,24%. Nas estimativas do chamado grupo Top 5, a previsão para o IPCA em 2013 no cenário de médio prazo caiu de 5,88% para 5,86%. Para 2014, subiu de 5,6% para 5,61%. Há um mês, o grupo apostava em altas de 5,78% para 2013 e 5,76% para 2014. Entre os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA em novembro de 2013 segue em 0,67%. Há quatro semanas, estava em 0,65%. Para dezembro de 2013, a projeção continua em 0,7%, contra 0,69% há quatro semanas. Crescimento Os economistas mantiveram a previsão de crescimento da economia para 2013 em 2,5%. Para 2014, a estimativa de expansão caiu de 2,13% para 2,11%. Há quatro semanas, as projeções eram, respectivamente, de 2,48% e 2,20%. A projeção para o crescimento do setor industrial em 2013 passou de 1,77% para 1,72%. Para 2014, economistas preveem avanço industrial de 2,42%, ante 2,5% da pesquisa anterior. Um mês antes, a Focus apontava estimativa de expansão de 2,48% para 2013 e de 2,2% em 2014 para o setor. Os analistas elevaram a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2013 de 34,5% para 34,55%. Para 2014, caiu de 34,5% para 34,4%, ante 34,25% há quatro semanas IGPs A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2013 caiu de 5,79% para 5,61%, enquanto para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que corrige a maioria dos contratos de aluguel, passou de 5,79% para 5,63%. Quatro semanas atrás, o mercado previa altas de 5,75% para o IGP-DI e de 5,73% para o IGP-M. Para 2014, a projeção para o IGP-DI segue em 6%. Para o IGP-M, caiu de 5,98% para 5,94%. Há quatro semanas as estimativas estavam em 5,96% para os dois indicadores. Economistas mantiveram ainda a estimativa para o aumento do conjunto dos preços administrados – as tarifas públicas – para 2013 em 1,6%. Para 2014, a projeção caiu de 3,75% para 3,7%. Há quatro semanas, as projeções eram de, respectivamente, 1,8% e 4%. Câmbio A mediana das projeções para a taxa de câmbio no final de 2013 segue em R$ 2,25 há três semanas na pesquisa Focus. Há quatro semanas, a projeção era de R$ 2,29. Para o fim de 2014, a mediana segue em R$ 2,40 há dez semanas. Na mesma pesquisa, o mercado financeiro manteve a previsão para a taxa média de câmbio em 2013 em R$ 2,16. Para 2014, a projeção subiu de R$ 2,32 para R$ 2,33. Há um mês, a pesquisa apontava que a expectativa de dólar médio estava em R$ 2,17 neste ano e R$ 2,36 no próximo. Para o fim de novembro, a estimativa passou de R$ 2,22 para R$ 2,23. A mediana das projeções para o câmbio dos analistas do Top 5 médio prazo para o fechamento de 2013 caiu de R$ 2,27 para R$ 2,22. Para 2014, segue em R$ 2,40. IED A pesquisa mostrou ainda que as estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, foi mantida em US$ 60 bilhões para 2013 (está no mesmo valor há 48 semanas). Para 2014, também foi mantida em US$ 60 bilhões, valor que se repete há 65 semanas. Os analistas mantiveram a previsão de déficit em transações correntes em 2013. A mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente este ano está em US$ 79 bilhões há seis semanas. Para 2014, a previsão de déficit nas contas externas caiu de US$ 72,7 bilhões para US$ 70,8 bilhões, contra US$ 77 bilhões há quatro semanas. Os economistas, no entanto, reduziram a estimativa de superávit comercial para o ano de US$ 1,9 bilhão a US$ 1,55 bilhão. Quatro semanas antes, estava em US$ 1,99 bilhão. Para 2014, a projeção subiu de US$ 9,25 bilhões para US$ 10 bilhões. Há quatro semanas, essa estimativa estava em US$ 9,25 bilhões. (Com Agência Estado ).



Fonte: JC

Contabilidade e auditoria rimam com seriedade e democracia.

A escolha de 2013 como o Ano da Contabilidade no Brasil é oportuna para que a população conheça melhor o significado do trabalho dos 484.583 profissionais da área e dos 10 mil auditores que atuam em 110 empresas do setor existentes no País. Trata-se de atividade essencial para a eficácia da gestão, transparência, confiabilidade dos balanços, exercício eficiente da responsabilidade fiscal e, portanto, do sucesso dos negócios na iniciativa privada e da qualidade dos Serviços no setor público, preceitos fundamentais na democracia. Assim, é muito feliz a iniciativa do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) de instituir o ano comemorativo neste momento em que o Brasil precisa da eficiência de suas empresas e da administração pública para enfrentar a crise econômica mundial, retomar crescimento substantivo e consolidar os avanços das duas últimas décadas. Nada disso seria possível sem contabilidade e auditoria, presentes desde os primórdios da aventura econômica da humanidade. Para entender mais claramente a sua importância, vale a pena navegarmos um pouco na síntese de sua história. Didaticamente, podemos dividir o desenvolvimento do pensamento contábil em quatro períodos: o primeiro vai do início da civilização até o Liber Abaci (Livro do Ábaco), do italiano Leonardo Fibonacci, em 1202, ou seja, abrangendo a Antiguidade e parte da Idade Média; o segundo é compreendido entre 1202 a 1494, quando foi publicado o Tractatus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas), do frei italiano Luca Pacioli, considerado o pai da contabilidade, que deu origem à sistematização dos registros; segue-se, de 1494 a 1840, a fase que compreende o Renascimento e a Revolução Industrial, na qual as ciências contábeis ajudaram a estabelecer o controle das riquezas do Novo Mundo. Em 1840, com La Contabilità Applicatta alle Amministrazioni Private e Pubbliche, do também italiano Francesco Villa, iniciou-se a quarta etapa. Quanto à auditoria, ela se estabeleceu como profissão, inicialmente na Inglaterra, no momento em que o contador deixou de prestar Serviços a uma única organização para assessorar colegas, mercadores e maior número de empreendimentos. O primeiro curso de contabilidade no Brasil foi a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, surgida em 1902, em São Paulo. Em 1946, o Decreto-Lei n° 9.295 criou o CFC e definiu o perfil dos contabilistas: contadores eram os graduados em cursos universitários de Ciências Contábeis; técnicos em contabilidade, os formados em escolas técnicas comerciais. Outros dois marcos da contabilidade e da auditoria no País ocorreram em 1976: a nova Lei das S.A (n° 6.404) e a Lei n° 6.385, que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Seu artigo 26 determina que somente os auditores independentes registrados na CVM podem auditar demonstrações contábeis das companhias abertas e integrantes do mercado mobiliário. O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), criado em 1971, formula normas e princípios. A contabilidade brasileira, alinhada às normas internacionais, é fiadora da transparência e da prestação de contas à sociedade. Na auditoria, os profissionais são agentes de sustentação da governança corporativa, contribuindo para a transparência e confiabilidade da gestão empresarial e do mercado de capitais. Ao realizar seu trabalho, o auditor está sempre atento às eventuais evidências de problemas, embora nem sempre tenha acesso à totalidade das informações. Afinal, quando os gestores de uma empresa ou instituição financeira desejam praticar fraudes, a primeira pessoa que precisam ludibriar é o auditor. Nesses casos, portanto, apresentam documentação e dados paralelos e/ou incompletos aos profissionais, que não têm o poder de polícia para investigar e nem o de fiscal para exigir papéis. Apesar disso, são recorrentes as ações preventivas e intervenções bem-sucedidas das auditorias no sentido de evitar que organizações lesem os seus sócios, clientes e a Economia popular. Cada vez mais, e dentro dos limites da lei, contadores e auditores buscam aperfeiçoar seu trabalho para reduzir a ação de maus administradores. Esse é um compromisso perene da categoria com o Brasil e a sociedade.



Fonte: JC

Brasil frusta investidor chinês.

Executivos citam crescimento econômico estagnado, custos elevados e hostilidade à sua presença como entraves ao aumento dos negócios no País. Até dois terços dos cerca de US$ 70 bi em projetos anunciados desde 2007 estão em compasso de espera ou foram cancelados.

Para investidores chineses, o Brasil não é mais a terra prometida. Depois de fazer grande aposta na maior economia da América Latina em busca de matérias-primas como minério de ferro, bem como em um mercado consumidor promissor, executivos têm ficado cada vez mais frustrados com o estagnado crescimento econômico, os custos elevados e o que eles veem como reação adversa à sua presença no País. Como resultado, o investimento chinês no Brasil está caindo, e até dois terços dos cerca de US$ 70 bilhões em projetos anunciados desde 2007 estão em compasso de espera ou foram cancelados, de acordo com estudos independentes. O esfriamento repentino, que investidores e analistas mostram pouca perspectiva de haver trégua em breve, vai privar a economia brasileira de fonte importante de capital para impulsionar a atividade nos próximos anos. "O calor pelo investimento no Brasil está diminuindo. Operar no País é um grande desafio", disse o presidente-executivo da unidade brasileira do Bank of China Ltd, que está entre os quatro maiores bancos comerciais estatais do país asiático, Zhang Dongxiang. Em uma rara entrevista em seu escritório de São Paulo que incluiu algumas das críticas mais afiadas ao Brasil por qualquer líder empresarial chinês até agora, Zhang queixou-se da crescente hostilidade da sociedade brasileira, bem como de políticas "protecionistas" durante o governo da presidente Dilma Rousseff. "A opinião pública às vezes parece ser contra o investimento estrangeiro. Em alguns setores, se percebe uma atitude protecionista, um temor de que o investimento estrangeiro acabe com a indústria local", afirmou Zhang. Embora algumas empresas chinesas estejam tendo sucesso no Brasil, há várias que "estão com dúvidas". A relação mais fria entre dois dos maiores mercados emergentes do mundo levanta questões sobre a força dos chamados fluxos de capital "sul-sul", e surgem no momento em que a China passa por ampla mudança da política de investimento com foco em uma economia mais baseada no consumo. O investimento chinês no Brasil continua bem acima do que foi na última década. Empresas como a CNOOC e a China National Petroleum Corp (CNPC), que entraram como sócias minoritárias do consórcio liderado pela Petrobras para explorar a gigante área de Libra, continuam a ver oportunidades aqui. Outros atentos a uma expansão incluem o China Construction Bank Corp, que fez acordo há duas semanas para comprar 72% do Bicbanco, instituição financeira voltada a pequenas e médias empresas, por R$ 1,62 bilhão. A China segue como o maior parceiro comercial do Brasil, graças à demanda pelas commodities, e o comércio entre os dois países tem crescido. A euforia de três ou quatro anos atrás, porém, quando políticos brasileiros esperavam que o investimento chinês fosse fundamentalmente remodelar os fluxos de comércio e gerar bilhões de dólares para necessários investimentos no setor de infraestrutura, claramente desapareceu. Ainda que investidores de todo o mundo tenham ficado menos otimistas sobre o Brasil nos últimos anos, as evidências sugerem que a ascensão e a queda chinesa foi particularmente abrupta. O resultado é especialmente decepcionante para o setor agrícola do Brasil, que até recentemente via a China como seu mais provável salvador para uma logística em ruínas – com estradas, ferrovias e portos que tornam extremamente difícil a exportação. "Não conheço nenhum projeto da infraestrutura chinesa (no Brasil) que saiu da papel", disse o coordenador do Movimento Pró Logística na Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Edeon Vaz.
Tigre asiático
Após anos de envio de missões comerciais para o Brasil, mas mantendo suas carteiras fechadas, as empresas chinesas anunciaram uma enxurrada de apostas de bilhões de dólares no País em 2010. Esse foi o ano em que a economia brasileira cresceu tórridos 7,5%, e parecia ter entrado em uma nova era de crescimento ao estilo de tigres asiáticos. Os investimentos foram além da extração de matérias-primas, tradicionalmente o foco da China na América Latina. Empresas como a montadora JAC Motors e a fornecedora de equipamentos de telecomunicações Huawei anunciaram grandes apostas de olho na crescente classe média do Brasil. A maioria dos analistas concorda que o surto repentino resultou de decisão estratégica de Pequim para diversificar seus mercados consumidores no exterior, após a crise financeira de 2008 e 2009 e da estagnação que se seguiu nos Estados Unidos e grande parte da Europa. Desde então, porém, pouco tem dado certo. A economia do Brasil resfriou bruscamente, crescendo apenas 0,9% no ano passado. Consumidores brasileiros estão sobrecarregados com dívida. O governo, enquanto isso, tomou várias medidas que têm feito muitos investidores chineses a se sentir indesejados. Algumas medidas faziam parte de ampla ação protecionista que tinha como alvo todos os países igualmente, como um expressivo aumento de impostos sobre os carros importados em 2011, que levou a JAC Motors a ameaçar suspender a construção de uma fábrica no Brasil. Outras, contudo, incluindo uma lei de 2010 que restringiu a compra de terras por estrangeiros, foram o resultado específico de preocupações de que os chineses estavam arrematando muitos dos recursos naturais do Brasil, disseram legisladores na época. Nos bastidores, funcionários do governo brasileiro expressam preocupações de que a China está principalmente interessada na obtenção de matérias-primas, de uma forma que pouco beneficia os brasileiros e, ao mesmo tempo, inundando o Brasil com produtos manufaturados de baixo custo.



Fonte: JC