Juro Selic a 6,5%, é o que temos para hoje… mercado ajusta taxas e beneficia pós

O homem é o homem e suas circunstâncias, já dizia o filósofo Ortega y Gasset, e isso se aplica aos bancos centrais, como mostrou o Comitê de Política Monetária (Copom) ontem, ao contrariar as indicações feitas pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn e mesmo as da reunião anterior, de março, de que a taxa cairia para 6,25%. Parte do mercado grita e chora que foi induzida ao erro pela autoridade monetária, reduzindo as projeções para o juro de curto prazo e subindo as de longo, e agora terá prejuízos com o ajuste dessas posições. Mas é preciso ver que o cenário mudou muito de março para cá e até da semana passada para cá, com o dólaralcançando R$ 3,68 e o petróleo atingindo US$ 80 o barril. Ou seja, as circunstâncias mudaram bastante.
E parte do mercado já havia percebido isso e cogitava que o melhor seria o BC manter as taxas onde estavam. Não que 0,25 ponto percentual faça grande diferença em termos de impacto na economia, mas para mostrar ao mercado uma posição mais cautelosa do BC, o que acabou prevalecendo. De certa forma, o mercado reclama pelo Banco Central ter feito aquilo que ele achava que era o certo, manter o juro onde estava até que a turbulência externa e interna se estabilize.
Essa mudança de visão do BC terá, porém, impactos fortes no mercado, e que não se limitarão aos juros. Também o dólar deve ter sua força reduzida, uma vez que o diferencial dos juros entre a aplicação aqui e nos Estados Unidos será menor. O dólar comercial abriu hoje em queda, de 0,13%, para R$ 3,673 para venda. No mercado futuro, o contrato para junho mostra um dólar a R$ 3,67, em queda de 0,3%.
Hoje, os contratos de juro futuro para janeiro de 2019, que dão a projeção para este ano, tiveram forte ajuste, de 6,31% para 6,53%, o que terá um impacto forte nos fundos de investimento de renda fixa que aplicam em papéis prefixados. Já os fundos DI, ou os papéis Tesouro Selic, ou os CDBs e LCI e LCA corrigidas pelo juro do CDI, que seguem os juros diários, vão ganhar com a manutenção do juro em 6,5% até o fim do ano. A projeção do contrato para janeiro de 2020 subiu de 7,34% para 7,49% e, para 2021, de 8,46% para 8,52% ao ano.
Também quem aplicam em poupança ganhará um pouco mais, já que o rendimento das aplicações feitas a partir de 4 de maio de 2012 corresponde a 70% da taxa Selic, ou 4,55% ao ano.
Mas o contrato mais longo, para janeiro de 2025, caiu 10,11% para 10,02% ao ano, pela lógica de que, se o BC é mais rigoroso agora, a taxa de inflação vai ser menor no futuro e o juro poderá ser menor.
Dólar sobe no exterior e petróleo passa de US$ 80
No exterior, o dólar segue se valorizando diante das demais moedas, e o petróleo voltou a subir, com o Brent, negociado em Londres, referência internacional, em alta de 0,77%, a US$ 79,90 o barril, depois de ter atingido US$ 80,00, o maior preço em três anos e meio. As preocupações com a situação política no Oriente Médio após a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã fazem o petróleo subir pelo risco de conflitos levaram a cortes de produção. Os choques entre palestinos e o exército israelense pela mudança da Embaixada Americana para Jerusalém também não ajudam a melhorar o clima.
E a tensão comercial entre Estados Unidos e demais países por conta da política protecionista de Donald Trump continua, com o Japão informando hoje que estuda retaliar as restrições às importações de aço do país impostas pelos americanos.
Os juros dos papéis de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, referência para os investidores de países emergentes, está em 3,097%, maior taxa desde 2011.




Fonte: investing

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